Publicado em 21/05/2016 às 18h20.

Roque Ferreira recusa disputar prêmio com Zélia Duncan

Sambista baiano não vai participar de prêmio com artista paulista por entender que cantora "é uma oportunista"

Redação
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

 

Um dos selecionados para a categoria de melhor de álbum de Samba do Prêmio da Música Brasileira, o mais importante do país no segmento musical, o baiano Roque Ferreira pediu para ter seu nome retirado da disputa.

Segundo a coluna de Ronaldo Jacobina, do jornal A Tarde, o sambista alegou que não pode disputar o prêmio com a cantora Zélia Duncan, indicada pelo álbum Antes do Mundo Acabar, pelo fato de a cantora não ser oriunda do samba: “Ela não é sambista, é oportunista. Entrou no samba pela porta dos fundos e por isso liguei para o José Maurício Machline para retirar meu nome de lá”, afirmou.

Roque disse ainda que Zélia teria lhe pedido uma composição para gravar, mas que ele teria negado: “Ela é roqueira, nada contra, mas roqueiros, mas não dá, né?”, ironizou.

Em resposta à polêmica, Zélia Duncan elogiou a trajetória de Roque e demonstrou estar profundamente decepcionada com a sua postura. Confira a íntegra:

“Tenho muita admiração por Roque, nesse aspecto sempre fui roqueira. Fui em um show seu há anos, falei com ele ao final, emocionada. Levei para o meu trabalho com Simone um de seus sambas, que gravamos sem sua oposição. Depois ele me enviou um cassete pra virarmos parceiros, talvez ele não lembre, nos falamos ao telefone com carinho recíproco. Quando estreei como roteirista do Prêmio, o texto que fiz sobre ele era muito reverente. Me entristece o que está havendo, pois rótulo é coisa de gente que pensa pequeno, é fundamentalismo musical. Me chamar de roqueira me orgulha, mas não me traduz. Conheço bem o trabalho de Roque, mas ele não me conhece. Sou filha de baiano, sempre amei o samba. Já cantei com Martinho, Beth, Fundo de Quintal, Ana Costa, Arlindo Cruz, Paulinho da Viola… sou parceira de vários deles. Sou uma intérprete e canto o que eu quiser, liberdade conquistada com muito suor. Me chamar de ‘oportunista’ mostra um ressentimento que não condiz com a poesia de sua obra. Uma decepção imensa. E o mais irônico de tudo, é que não me chamo Roque, me chamo Zélia!”.

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