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Publicado em 09/02/2026 às 11h00.

Show de Bad Bunny no Super Bowl enfurece Trump após manifesto latino

Com convidados como Lady Gaga e Ricky Martin, cantor leva Porto Rico ao centro do maior palco da TV americana

João Lucas Dantas
Foto: Reprodução/ Redes sociais

 

Bad Bunny comandou o cobiçado show do intervalo do Super Bowl, no último domingo (8), o evento de maior audiência da televisão dos Estados Unidos. Com participações de Lady Gaga e Ricky Martin, a apresentação foi marcada por forte simbolismo e mensagens diretas sobre identidade, imigração e cultura latino-americana.

A escolha do tom não foi surpresa. Bad Bunny vem exaltando suas raízes porto-riquenhas no disco Debí Tirar Más Fotos, e levou esse discurso ao palco em um momento de tensão na relação dos EUA com comunidades latinas e imigrantes. Antes mesmo do início, o espetáculo já era tratado como o mais político da história do Super Bowl, algo que incomodou Donald Trump, que classificou a apresentação como “uma afronta à grandeza da América”.

O show foi quase todo em espanhol e começou invertendo a lógica tradicional do evento. No telão, a expressão “el espectáculo de medio tiempo del Súper Tazón” aparecia sem tradução.

A repercussão política foi imediata. Antes mesmo do fim do espetáculo, aliados de Donald Trump passaram a criticar a apresentação nas redes sociais, e o ex-presidente divulgou um manifesto em que classificou o show como “um ataque direto aos valores americanos”.

Trump acusou a NFL de permitir “propaganda ideológica” no evento e afirmou que o Super Bowl deveria ser “um espaço de exaltação do patriotismo dos Estados Unidos, não de outras bandeiras”. A reação acabou reforçando ainda mais a leitura de que o show de Bad Bunny ultrapassou o entretenimento e se consolidou como um ato político em rede nacional.

Post de Donald Trump após Super Bowl

 

A ambientação remetia diretamente a Porto Rico, com cenas de trabalhadores rurais, senhores jogando dominó e personagens do cotidiano da ilha. Em um dos momentos mais diretos, o cantor se apresentou em espanhol: “Meu nome é Benito Antonio Martínez Ocasio, e se hoje estou aqui no Super Bowl, é porque nunca deixei de acreditar em mim. Você também deveria acreditar em você”.

Um dos cenários centrais foi a “casita”, símbolo recorrente em seus shows, representando uma casa típica porto-riquenha. Desta vez, ela reuniu convidados como Cardi B, Karol G, Pedro Pascal e Jessica Alba, todos latinos ou de ascendência latina. A coreografia destacou o perreo, dança sensual surgida em Porto Rico nos anos 1980, frequentemente comparada ao rebolado do funk brasileiro.

No telão, a frase final resumia o espírito da noite. “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”. Ao som de Dtmf, Bad Bunny deixou claro que seu show foi mais que entretenimento — foi identidade, memória e posicionamento político no maior palco da cultura pop americana.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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