Publicado em 05/03/2026 às 10h50.

Wagner Moura diz em talk show que ‘O Agente Secreto’ é reação a Bolsonaro

Ator falou sobre o filme e a política brasileira durante participação no programa 'Jimmy Kimmel Live!', nos Estados Unidos

João Lucas Dantas
Foto: Reprodução/ Youtube

 

O ator brasileiro Wagner Moura afirmou que o filme O Agente Secreto surgiu da perplexidade dele e do diretor Kleber Mendonça Filho diante do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A declaração foi feita nesta quarta-feira (4), durante participação no talk show Jimmy Kimmel Live!, nos Estados Unidos, poucos dias antes da cerimônia do Oscar, marcada para 15 de março.

Indicado ao prêmio de Melhor Ator pelo longa, Moura afirmou que a produção está diretamente ligada ao contexto político recente do Brasil. “Esse filme não teria acontecido se não fosse por causa dele”, disse o ator, referindo-se a Bolsonaro.

Durante a conversa com o apresentador Jimmy Kimmel, o ator também comentou que, caso vença o Oscar, cogita repetir um gesto irônico feito pelo apresentador ao agradecer ao ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump quando venceu o Critics Choice Awards de melhor talk show. Na ocasião, Kimmel disse: “Obrigado, Sr. Presidente, por todas as muitas coisas ridículas que você faz a cada dia”.

Moura afirmou que poderia adaptar a brincadeira ao cenário político brasileiro. “Mas o nosso Trump está na prisão”, declarou, ao chamar Bolsonaro de “o Trump brasileiro”, comentário que arrancou aplausos da plateia.

Caminho até o Oscar

Durante a entrevista, Kimmel perguntou ao ator como ele se sente ao ver o ex-presidente responder judicialmente pela chamada trama golpista. Moura respondeu de forma direta: “É uma sensação boa”.

O ator também relacionou o atual cenário político brasileiro à memória da ditadura militar. Segundo ele, os efeitos desse período ainda ecoam no país e ajudam a explicar a eleição de Bolsonaro.

Ao mesmo tempo, destacou que a reação das instituições às tentativas de ruptura democrática ocorreu de forma rápida justamente porque o Brasil conhece as consequências de um regime autoritário.

Moura comentou ainda as dificuldades enfrentadas para lançar o filme Marighella, dirigido por ele, durante o governo Bolsonaro. Na conversa, o ator também abordou temas da política internacional, incluindo ameaças tarifárias de Trump contra o Brasil e episódios recentes envolvendo agentes federais de imigração nos Estados Unidos.

Momentos leves e curiosidades

A entrevista também teve momentos descontraídos. Kimmel mostrou uma imagem do Carnaval de Olinda em que Moura aparece homenageado com um dos tradicionais bonecos gigantes da festa e perguntou se ele havia levado a peça para casa. “Eu levaria para todas as reuniões de família”, brincou o ator.

Moura revelou ainda que irá à cerimônia do Oscar acompanhado da esposa, Sandra Delgado, e de três amigos, entre eles o também ator Lázaro Ramos.

Esta não foi a primeira participação do brasileiro no programa. Em 2016, ele esteve no Jimmy Kimmel Live! para divulgar a série Narcos, na qual interpretou o traficante Pablo Escobar — papel que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Série Dramática.

Embora não tenha transmissão oficial no Brasil, o programa costuma disponibilizar trechos e entrevistas completas em seu canal oficial no YouTube um dia após a exibição nos Estados Unidos. O talk show é exibido pela emissora ABC e combina entrevistas com celebridades, quadros de humor e apresentações musicais ao vivo.

João Lucas Dantas
Jornalista com experiência na área cultural, com passagem pelo Caderno 2+ do jornal A Tarde. Atuou como assessor de imprensa na Viva Comunicação Interativa, produzindo conteúdo para Luiz Caldas e Ilê Aiyê, e também na Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de Salvador. Foi repórter no portal Bahia Econômica e, atualmente, cobre Cultura e Cidade no portal bahia.ba. DRT: 7543/BA

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