Jornalista, apaixonado por comunicação e cultura, pós-graduando em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Atualmente integra as redações do Bahia.ba e do BNews, escrevendo principalmente sobre entretenimento, mas transitando também por outras editorias. Com passagens pelos portais Salvador Entretenimento e Voz da Cidade, tem experiência em reportagem, assessoria e Social Media.
Publicado em 24/02/2026 às 19h07.
Daniela Mercury está na moda!
A Rainha do Axé é o assunto do momento
Edgar Luz

Houve um tempo em que diziam que Daniela Mercury era patrimônio histórico. Como se fosse um prédio tombado pelo IPHAN do axé. Admirável, intocável, parte do passado glorioso de um Brasil que dançava na sala ao som de “O Canto da Cidade”.
Mas 2026 tratou de devolver Daniela ao lugar onde ela sempre pertenceu. O agora.
Daniela Mercury está na moda. E não é força de expressão.
Depois do Carnaval de 2026, algo curioso aconteceu nas redes sociais. Não foi só mais um “resgate nostálgico”. Foi um fenômeno de reentronização. A Rainha do Axé furou a bolha da memória afetiva e entrou, de vez, no feed da Geração Z, não como lembrança dos pais, mas como trend.
O ponto de virada teve máscara.
Quando Daniela surgiu disfarçada, de macacão rosa e rosto coberto, misturada à pipoca em Salvador, ninguém ali estava diante de um monumento. Estavam diante de uma foliã comum. Até que a máscara caiu. E, junto com ela, caiu também qualquer distância entre mito e gente. O vídeo da revelação virou avalanche de compartilhamentos. Instagram. TikTok. Reels. POVs. A Rainha humanizada e, paradoxalmente, ainda maior.
A internet ama autenticidade. Ama surpresa. Ama o “aconteceu de verdade”. Daniela entregou tudo isso em poucos segundos.
Mas não foi só performance. Foi música.
MEU DEUS! Daniela Mercury surge cantando disfarçada em meio à pipoca antes de subir em seu trio em Salvador. pic.twitter.com/670Xg9vOZz
— poponze (@poponze) February 14, 2026
“É Terreiro”, parceria com Alcione, virou mais que single. Virou corrente. A coreografia atravessou perfis de Anitta, Ivete Sangalo, Erika Hilton, Margareth Menezes. Não era só dança, era endosso simbólico. Era geração dizendo para geração: “essa mulher é nossa”.
E o que a internet faz quando ama uma música nova? Vai cavar o passado.
De repente, “Feijão de Corda”, “Swing da Cor” e “O Canto da Cidade” voltaram a ser trilha de vídeos sobre energia, liberdade e autoestima. Jovens que não tinham nascido quando o axé explodiu estavam se perguntando “Como eu não conhecia isso antes?”. Não era redescoberta arqueológica. Era apropriação afetiva.
Daniela deixou de ser “lenda do passado” para virar “dona do agora”.
A consagração veio em São Paulo. A Pipoca da Rainha, que completou 10 anos, arrastou cerca de 2 milhões de pessoas pela Rua da Consolação. Dois milhões. Não é número de memória. É número de potência presente. Nas redes, o tom mudou. Os relatos falavam de pertencimento, de espaço seguro, de diversidade celebrada sem medo. Daniela não conduz só um trio, mas uma narrativa.
Agora que sei o que significa, posso dizer: São Paulo, hoje foi cunt pic.twitter.com/oIa2uhIXBI
— Daniela Mercury (@danielamercury) February 22, 2026
E há algo ainda mais sofisticado nisso tudo.
Ao citar Maria Padilha em seu repertório, Daniela ativou um imaginário que a internet ama. Estética, mística, empoderamento. A figura virou símbolo visual, referência em looks, legendas e vídeos. O axé encontrou o algoritmo sem pedir licença.
Ao mesmo tempo, ela manteve o que sempre foi sua espinha dorsal, defesa das pautas LGBTQIAPN+ e valorização das religiões de matriz africana. A geração que hoje cobra posicionamento político de seus ídolos encontrou nela coerência histórica. Daniela nunca precisou “se atualizar” ideologicamente. Ela já estava lá.
Existe a Daniela que ajudou a moldar o Carnaval moderno, que transformou trio elétrico em espetáculo pop global. Que inventou o circuito Barra-Ondina. E existe a Daniela que entende a lógica do vídeo curto, do desafio de dança, do impacto visual imediato.
As duas não competem. Se somam.
Talvez o que estejamos vendo não seja uma volta. Seja uma ressignificação. Daniela Mercury não está sendo lembrada, está sendo reinterpretada. Como se o Brasil tivesse finalmente entendido que a ‘Mãe do Axé Moderno’ nunca saiu de cena. Só estava esperando o tempo certo para que a timeline estivesse pronta.
E agora está.
Daniela Mercury está na moda.
E, pela primeira vez em muito tempo, a moda está à altura dela.
SÓ DA DANIELA MERCURY NA TIMELINE
É O NOVO RENASCIMENTO CULTURAL
beijos para nossa diva do axé pic.twitter.com/il34UGx1wk— anala♉︎ (@barckwidow) February 22, 2026
Mais notícias
-
Especial14h06 de 08/04/2026
Escola de Tempo Integral gera impacto imediato na rede estadual da Bahia
Da segurança alimentar ao novo currículo, entenda o que pensam estudantes, professores e gestores sobre tempo ampliado para estudar
-
Especial15h30 de 06/04/2026
Axé, candomblé e MPB: Trajetória histórica que molda a música brasileira
Polêmica reacende debate sobre a presença ancestral de elementos afro-religiosos na formação nacional
-
Especial16h56 de 01/04/2026
MP aciona instituições em Salvador por venda casada de materiais escolares; saiba como se proteger
Colégios São José, Bernoulli e Colmeia tornaram-se alvos de ações civis públicas após investigações da Codecon
-
Especial14h14 de 18/03/2026
Repórter do bahia.ba é homenageada pela Câmara de Salvador com Prêmio Mulher Notável
Carolina Papa atua nas editorias de política e entretenimento
-
EspecialEXCLUSIVO16h50 de 13/03/2026
Bahia lidera crescimento do mercado de seguros no Nordeste
De acordo com levantamento, território baiano registrou um crescimento de 12,9% no acumulado dos últimos 12 meses
-
Especial22h00 de 09/03/2026
Patrícia Abreu relembra bastidores da carreira na estreia do Resenha.Ba
Jornalista foi uma das convidadas da primeira edição do novo podcast do bahia.ba
-
Especial21h40 de 09/03/2026
Resenha.Ba estreia no YouTube com debate sobre final do Baianão e projeções para clássico Ba-Vi
Primeira edição do projeto contou com uma bancada diversificada em quase duas horas de pura resenha esportiva
-
Especial06h00 de 05/03/2026
Há 30 anos, Carlinhos Brown unia o ancestral ao global com ‘Alfagamabetizado’
Obra-prima da música brasileira ampliou os horizontes da Bahia ao dialogar com ritmos do mundo
-
Especial17h44 de 02/03/2026
Axé Music 4.0: o gênero que ensinou o Brasil a produzir hits antes do streaming
Gênero que moldou pop nos anos 90 enfrenta desafio de dialogar com novas gerações sem perder identidade









