Parada LGBT da Bahia completa 22 anos com tema dedicado ao envelhecimento
Evento se consolidou como um dos maiores símbolos de luta e celebração da diversidade no estado

A Parada LGBT da Bahia chega à sua 22ª edição neste domingo (14) e, pela primeira vez, ocupará o circuito entre o Farol da Barra e o Clube Espanhol, na Avenida Oceânica, em Salvador. Organizado pelo Grupo Gay da Bahia (GGB), o evento terá concentração a partir das 12h, com saída dos trios marcada para 15h. A mudança de trajeto foi definida para ampliar o conforto e a segurança do público, segundo a organização.
Com o tema “Envelhecer sem vergonha. Com orgulho!”, a edição de 2025 dá visibilidade à realidade da população LGBTQIA+ idosa, que ainda enfrenta discriminação, invisibilidade e dificuldades para viver com dignidade.
História de resistência
Criada em 2003, a Parada LGBT da Bahia se consolidou como um dos maiores símbolos de luta e celebração da diversidade no estado. Mais do que uma festa, tornou-se espaço de reivindicação de direitos, de combate à discriminação e de promoção da inclusão social.
O movimento, no entanto, tem raízes ainda mais antigas. A primeira marcha do orgulho LGBT ocorreu em Nova York, em 1970, no cenário da Rebelião de Stonewall, quando a comunidade reagiu à violência policial contra frequentadores de bares gays. No Brasil, ativistas como Luiz Mott e Marcelo Cerqueira levaram, a partir da década de 1980, essa mobilização para a Bahia.
“Cada vez mais a Parada LGBT+ tem a participação de heterossexuais, de simpatizantes, de famílias, de pais, mães, que vão lá para se divertir, vibrar e cantar”, afirmou Luiz Mott, fundador do GGB, em conversa com o bahia.ba.
Diversidade nas ruas
O estudante de Arquitetura e Urbanismo Eduardo Barreto, que participa da Parada com frequência, destaca a energia única do evento. “Eu comecei a frequentar há alguns anos. A energia é contagiante e, apesar de levar assuntos sérios para a rua, fazemos isso de maneira leve. Hoje, venho com os meus irmãos e primos. Todos juntos com o sorriso no rosto”, contou.
Para Mott, a Parada é também um espaço de libertação para jovens da comunidade. “As paradas são importantes como espaço de iniciação para muitos jovens, gays, lésbicas, travestis, transexuais, bissexuais, que pela primeira vez na vida vão pegar na mão de uma pessoa que amam, vão dar um beijo na rua, no seu companheiro, na sua companheira, coisa que durante o ano não podem fazer”, destacou.
Direitos e avanços
O fundador do GGB lembra que o cenário brasileiro mudou ao longo das últimas décadas. “O Brasil mudou para melhor, felizmente. Nos últimos 45 anos, desde que eu fundei o Grupo Gay da Bahia em 1980. Hoje, há leis que protegem a população LGBT, o direito ao casamento, a equiparação da homofobia, da homotransfobia ou da LGBTfobia ao racismo, o direito às transexuais de fazer a operação de transgenitalização pelo SUS. Enfim, temos direitos garantidos”, ressaltou.
Programação e novidades
A programação deste ano terá apresentações artísticas e musicais, com destaque para Leo Kret — cantora, dançarina, atriz e primeira vereadora trans do Brasil — que sobe ao trio ao lado da banda Selakuatro para animar o público.
Além das atrações culturais, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) instalará um módulo especial na Barra para oferecer serviços gratuitos. O espaço contará com atendimento de urgência e emergência, testagem rápida para HIV e sífilis, distribuição de preservativos, autotestes e lubrificantes, além de atividades educativas sobre saúde, respeito ao nome social e combate à LGBTfobia.
O atendimento emergencial funcionará das 11h às 23h, na Rua Dias D’Ávila, próximo ao antigo Beco da Off, enquanto a testagem e a distribuição de insumos ocorrerão das 10h às 21h.
Mais do que festa, a Parada LGBT da Bahia reafirma sua vocação como ato político, cultural e social, que celebra conquistas, dá visibilidade à luta contra preconceitos e continua a espalhar a bandeira do respeito e da diversidade por toda a Bahia.
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