Publicado em 31/05/2021 às 14h30.

Comentaristas e políticos rechaçam Copa América no país

Número de mortos na pandemia foi o principal motivo apresentado; vice-presidente Mourão defendeu transferência

Redação
Foto: reprodução CBF TV
Foto: reprodução CBF TV

 

Anunciada no começo da tarde desta segunda-feira (31), a transferência da Copa América para o Brasil gerou de imediato uma repercussão negativa no país. O principal motivo alegado são as 462 mil vidas perdidas para o novo coronavírus. Um surto na crise sanitária global foi o argumento da sede anterior, a Argentina, para desistir da competição.

“A média móvel de mortes por dia ainda é de 1800. Houve 950 óbitos no domingo, pela razão óbvia de que os números do final de semana são subestimados. A terça-feira é sempre o dia da notícia trágica”, afirmou o comentarista Paulo Vinícius Coelho, o PVC, no GE. O cronista considera o momento adequado para um movimento Não vai ter Copa.

Na ESPN, artigo de Antero Greco vai na mesma direção. “A notícia de que o país que tem 462 mil cidadãos mortos pela doença aceitou o convite para quebrar o galho da Conmebol e realizar a Copa América é a confirmação de que a insensatez, a sede de poder e a força da grana falam mais alto do que princípios humanitários básicos. Estamos lascados”, resumiu.

A reação também ocorreu na esfera política. Na Bahia, o governador Rui Costa adiantou que vetará jogos com público. O Estado é um dos responsáveis  pela arena Fonte Nova, gerido em PPP com a Fonte Nova Negócios e Participações.

Em Pernambuco, estado cotado para ser subsede por não ter a arena local em uso na série A, o governador Paulo Câmara (PSB) vetou a proposta. “Apesar de ainda não ter sido procurado oficialmente pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), o Governo do Estado reforça que o atual cenário epidemiológico não permite a realização de evento do porte da Copa América no território de Pernambuco”, disse o gestor, em nota.

Para o  presidenciável Ciro Gomes (PDT) o presidente da CBF, Rogério Caboclo (foto), deveria ser convocado para se explicar na CPI da Pandemia, no Senado. O torneio só passou para o Brasil após o aval do cartola e do presidente Jair Bolsonaro. “A questão não é gostar ou não gostar de futebol. Eu adoro! A questão é não brincar com a vida dos brasileiros”, concluiu.

Ao GE, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, defendeu a realização do evento no Brasil. “Não tem público, né? Não tendo público não é problema. É só dividir bem essas sedes e acabou”, disse. “Vamos dizer o seguinte, que é menos…. Não é que seja mais seguro, é menos, é menos risco. Não é mais. É menos. O risco continua”.

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