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Publicado em 10/02/2026 às 17h41.

Contexto social atrapalha planos do Grupo City para o Bahia; entenda

Clube reconhece obstáculos estruturais no estado e traça plano de formação integral

Rodrigo Fernandes
Foto: Reprodução / EC Bahia

 

O projeto de transformação da base do Bahia esbarra em desafios que vão além das quatro linhas. Internamente, o clube reconhece que vulnerabilidade social, deficiências educacionais e limitações estruturais em diversas regiões do estado impactam diretamente o processo de formação de atletas.

Conforme apuração do bahia.ba, a avaliação nos bastidores é de que a Bahia parte de um cenário estruturalmente mais complexo quando comparada a polos tradicionais de formação no eixo Sul-Sudeste.

A escassez de campos em boas condições e o baixo nível competitivo em determinadas faixas etárias reduzem o ritmo de desenvolvimento técnico desde as categorias iniciais.

Os números históricos ajudam a dimensionar o cenário. Nos últimos 22 anos, apenas três jogadores formados no estado disputaram competições oficiais pela Seleção Brasileira. O dado é utilizado internamente como indicativo de que o ambiente formador precisa evoluir.

Diante desse contexto, a estratégia adotada pelo Tricolor envolve atuação em múltiplas frentes. Uma delas é o fortalecimento do acompanhamento educacional, ponto também apontado como fragilidade estrutural na Bahia.

 

Foto: Reprodução / EC Bahia

 

O que o Grupo City pretende fazer?

O planejamento prevê a construção de colégios e a ampliação do suporte pedagógico aos atletas da base. A diretriz estabelecida é clara: “formar melhores pessoas para formar melhores jogadores”.

A rotina dos jovens também passou a integrar o processo de avaliação. Sono, disciplina e comportamento fora de campo são monitorados de forma permanente.

Em um episódio recente, conforme apuração da reportagem, um atleta foi desligado após tentar influenciar colegas a descumprirem regras internas relacionadas à rotina noturna.

Além da formação humana, o clube busca ampliar a captação dentro do próprio estado, com o objetivo de aumentar a presença de atletas baianos nas categorias inferiores. O critério técnico, no entanto, permanece como filtro definitivo para integração ao projeto.

A vulnerabilidade social não é tratada como justificativa para resultados, mas como obstáculo concreto a ser enfrentado dentro de um planejamento de longo prazo.

O entendimento interno é de que a consolidação do modelo implementado pelo City Football Group (CFG) depende da capacidade de estruturar um ambiente competitivo em meio a um contexto historicamente desafiador.

O bahia.ba apurou ainda que o Grupo City mantém diálogo com o Governo do Estado da Bahia para discutir iniciativas que possam contribuir para o fortalecimento da formação esportiva local, em uma tentativa de reduzir impactos estruturais que atingem diretamente o processo de desenvolvimento dos jovens atletas.

Rodrigo Fernandes
Jornalista, repórter e produtor de conteúdo. Com experiência em redação e marketing digital, faz cobertura de Esportes no bahia.ba. Antes disso, foi editor do In Magazine – Portal iG e repórter do Portal M! – Muita Informação.

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