Publicado em 27/09/2021 às 12h08.

‘Ganhamos o título nacional com dois meses de salário atrasado’, lembra Bobô

Ex-jogador conversou com o bahia.ba na manhã desta segunda-feira (27)

Adriano Villela / Mattheus Miranda
Foto: Luiza Lopes/bahia.ba
Foto: Luiza Lopes/bahia.ba

 

O ex-jogador e ídolo do Esporte Clube Bahia, Raimundo Nonato Tavares da Silva, mais conhecido como Bobô, comentou, nesta segunda-feira (27), sobre a crise financeira que o time baiano vem enfrentando nos últimos dias.

Na última sexta-feira (24), a diretoria do Esquadrão revelou que está com a remuneração de salários atrasada há um mês. Além disso, os atletas estão com o pagamento de direitos de imagem até sete meses em aberto. Outro problema citado, é que existem 63 colaboradores do clube que não receberam o décimo terceiro no ano passado.

Além da crise financeira, o Bahia acumula resultados negativos nos últimos jogos da Série A do Campeonato Brasileiro. O clube entrou na zona de rebaixamento após a derrota para o internacional, neste domingo (26), e viu o risco de queda aumentar.

Em contato com o bahia.ba, Bobô afirmou que a situação do clube é ‘traumática’, mas ainda reversível na atual temporada.

“É uma situação difícil, agora só reverte essa questão matemática se vencer jogos, né? Eu acho que o Bahia tem a condição de sair de uma situação dessa, mas é claro que tem que mudar o comportamento da equipe em campo. É uma equipe ainda desajustada. Precisa organizar a equipe como inteiro e motivá-la a vencer seus jogos dentro de casa. Eu acho que o Bahia tá pagando um preço muito grande pela sua irregularidade, sua inconstância. Joga fora de casa perde, joga dentro de casa perde. Isso não é bom, demorou demais até pra entrar na zona de rebaixamento pelo nível que vinha jogando. O Bahia ainda tem condição de sair e vencendo seus jogos sobretudo em casa”, pontuou.

Para o ex-atleta, o salário atrasado não é fator determinante para o péssimo desempenho do time dentro de campo. Segundo ele, a equipe vem jogando mal já há algum tempo.

“Na minha época não afetou, nós ganhamos o título nacional com dois meses de salário atrasado. Então assim, esse grupo eu não conheço, eu não sei como é que são, mas eu acho que o clube tem que resolver suas questões, pagar seus salários e cobrar dos atletas. Agora não é de agora que a Bahia tem jogado mal, não é por conta dos salários que está jogando mal. Realmente complica mais ainda. O salário é um direito dos atletas e o clube tem responsabilidade de pagar, mas os jogadores tem que jogar muito mais do que tem jogado”, disse.

Segundo Bobô, o Bahia ‘errou muito no seu planejamento de futebol’. Para ele, é inconcebível que o tricolor baiano tenha desempenho menor que clubes com investimentos menores.

“Não é esse ano só. No ano passado o Bahia fez uma temporada muito bacana até junho e depois desceu ladeira. A mesma coisa agora. Eu não sei qual é a razão, se é financeira ou qualquer outra questão, mas o problema é que o modelo do futebol do Bahia tá em dívida. Acho que a folha salarial do Bahia é até maior do que a folha do Fortaleza e o time tá nessa situação. Além disso, o Bahia não aproveita jogadores oriundos da base. Não tem um ativo pra poder vender. Quem o Bahia vai vender nessa temporada pra poder pagar suas dívidas?”, questiona.

“Ainda tem tempo de mexer nessa questão do futebol, no executivo do futebol, que é o responsável pela situação que o Bahia se encontra hoje”, finalizou Bobô.

Nota do Bahia sobre salários na íntegra:

“O Esporte Clube Bahia vem a público responder matéria veiculada pelo site ‘TNT Sports’, na tarde desta sexta-feira (24), que lamentavelmente não cumpriu requisito jornalístico de procurar o posicionamento da instituição.

É verdade que o Bahia vive situação de dificuldade financeira, motivada pelos efeitos da pandemia a partir de março de 2020, que impediram o clube de seguir a rotina de salários em dia desde a temporada de 2015.

Quedas bruscas de receita como a do programa de sócios, antes capaz de quitar folhas inteiras de pagamento só com as mensalidades dos torcedores, afetaram o orçamento e o planejamento montados no final de 2019.

Apesar disso, as informações divulgadas estão equivocadas.

Neste momento, em função dos motivos citados, há atraso de um mês de salário e três de imagem para o elenco, exceção a sete atletas remanescentes do ano passado, que estão com outros quatro meses de imagem em aberto, fruto de acordo de renegociação da pandemia.

Mais: até então 384 colaboradores receberam o salário de agosto, que venceu no 5º dia útil de setembro, sempre iniciando das menores para as maiores remunerações. Além disso, 487 funcionários receberam o décimo terceiro de 2020, faltando 63, dentre eles os jogadores.

Neste um ano e meio de crise mundial, não houve demissões. A prioridade foi manter o emprego das pessoas que fazem o Esquadrão.

Superada a pior fase do problema, o Bahia se encaminha para solucionar essas últimas questões. Já estamos melhor do que estávamos e a união de todos, dentro e fora do clube, se mostrará fundamental”.

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