Publicado em 30/12/2015 às 20h15.

São Silvestre: Solonei Rocha é esperança brasileira

O corredor é a aposta para desbancar os quenianos

Agência Estado
Foto: Divulgação
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Tradicional prova de rua do Brasil, a 91.ª Corrida Internacional de São Silvestre será realizada na manhã desta quinta-feira (31) – 8h40 para mulheres e 9 horas para os homens – em São Paulo e entre os mais de 30 mil participantes estará Solonei Rocha da Silva, brasileiro que já está garantido para disputar a maratona nos Jogos Olímpicos do Rio, no próximo ano.

Ele é uma das esperanças nacionais de tirar os atletas africanos do alto do pódio e garante que, apesar de a São Silvestre ter um percurso de 15 quilômetros pela capital paulista, enquanto que a maratona tem 42 quilômetros, o circuito de rua no último dia do ano vale como treino para os Jogos do Rio.

“Daqui para frente, todas as provas e todos os treinos serão feitos pensando na Olimpíada de 2016. Eu respiro o esporte e penso em todas as possibilidades. Vou fazer o melhor para tentar vencer. Sei que ganhar a São Silvestre é para pouquíssimos atletas, é uma façanha. Entrar em 2016 com esse título é para se comemorar”, avisou.

Solonei vai competir na São Silvestre pela terceira vez. Sua estreia foi em 2007, quando ainda era coletor de lixo em Penápolis, no interior de São Paulo. Em 2009, melhorou seu tempo e colocação (13.º), mas espera superar seu recorde para brigar pelo pódio. “Todo atleta vem para a São Silvestre para fazer bom papel. Somos profissionais. Vou brigar de igual para igual com qualquer um”, disse.

O atleta lembra que, apesar do jejum de vitórias na prova, os atletas brasileiros têm capacidade para subir no pódio e até ganhar a provar. “É preciso imprimir um ritmo forte e estar em um bom dia. Mas existe uma grande diferença dos 42 quilômetros para os 15. Quanto menor a distância, a prova fica mais intensa e você corre mais forte, mais rápido. Na maratona a gente fica com receio de sair forte, pois pode não terminar a prova”.

Único brasileiro já garantido na maratona na Olimpíada, por ter índice e ter ficado entre os 20 mais bem colocados no Mundial de Atletismo de Pequim, na China, Solonei garante que isso dá uma certa tranquilidade para treinar. “Como estou garantido, isso tira um peso da cabeça”.

Outros nove atletas também têm índice e, se a Olimpíada fosse hoje, Marilson Gomes dos Santos e Paulo Roberto de Almeida Paula iriam para os Jogos por terem os melhores tempos. Só que Paulo Roberto está reclamando publicamente do critério da CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo) que já garantiu Solonei no Rio.

No momento, Paulo Roberto seria o primeira a sair da lista caso outro atleta faça uma marca melhor. A bronca está porque seu tempo (2h11min02s) é melhor do que o de Solonei (2h13min15s), que se garantiu via Mundial.

“Ele tem de provar o que ele fala, pois anda falando pelos cotovelos. Tem de mostrar na rua, correndo. Vou ignorar o que ele está falando e pensar em mim. O dia que ele for campeão dos Jogos Pan-Americanos, ou da Maratona de São Paulo, ele fala. Vou pensar na São Silvestre e espero que ele venha competir para a gente ver na prova”, desabafou Solonei. Paulo Roberto ameaçou não competir mais, porém retirou o kit de participante e está inscrito.

Solonei evita aumentar as polêmicas e quer pensar apenas em fazer seu papel. Ele até não escolhe um rival para a disputa. “Não tem como falar um só. Todos estão capacitados e podem vencer a São Silvestre”, disse.

ADVERSÁRIO – Um forte rival é Edwin Kipsang Rotich, queniano que ganhou a São Silvestre em 2012 e 2013. Ele garante que se espelha em seu compatriota Paul Tergat, que fez história na corrida de rua, com cinco vitórias. “Ele me serve de inspiração. Quero me aproximar dele ganhando meu terceiro título”. O queniano garante que qualquer um pode vencer a competição no Brasil e que não existe mágica. “Eu treino duro, esse é o único segredo. No Quênia, o ritmo é muito forte”, afirmou.

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