Publicado em 24/03/2025 às 17h42.

Mercado de Fundos Imobiliários tem alta de mais de 13% desde dezembro

Isenção do IR até R$5 mil também movimenta a semana

Redação
Foto: Assessoria / Ademi BA

 

Na última semana, o mercado de Fundos Imobiliários (FIIs) teve mais uma forte valorização, com o índice IFIX registrando alta de 1,43%. Nos últimos 30 dias, o avanço acumulado já é de 4,66%, e desde a mínima registrada em 19 de dezembro, o mercado sobe mais de 13,21%. A movimentação positiva tem sido impulsionada por uma série de fatores, incluindo perspectivas fiscais, decisões do Banco Central e avanços na proposta de isenção do Imposto de Renda.

Isenção do IR até R$ 5 mil e impactos nos FIIs

Uma das principais pautas econômicas da semana foi o envio ao Congresso do Projeto de Lei que propõe a ampliação da faixa de isenção do IRPF para quem recebe até R$ 5 mil mensais a partir de 2026. A medida beneficiaria cerca de 10 milhões de pessoas e deve ser compensada com uma nova alíquota efetiva mínima sobre rendas mais altas.

A boa notícia para o investidor em FIIs é que, segundo análise de especialistas e advogados ouvidos por Mateus Lima, os rendimentos isentos de FIIs devem ficar de fora da base de cálculo da nova alíquota efetiva, o que mantém a atratividade do setor mesmo diante das mudanças. Também segue mantida a isenção de FIIs dentro do escopo da reforma tributária, após tentativas anteriores de inclusão da classe no CBS/IBS.

Selic a 14,25%: cenário desafiador e oportunidades

O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em mais um ponto percentual, agora a 14,25% ao ano — maior nível desde o governo Dilma. A alta já era esperada, como reflexo da inflação acumulada, que chegou a 5,06% nos últimos 12 meses. Apesar de pressionar investimentos de risco no curto prazo, esse cenário também abre oportunidades em fundos de papel atrelados ao IPCA e CDI, que tendem a pagar mais renda passiva.

Mateus destaca que “esse é o momento de ser contracíclico”, já que o mercado de FIIs ainda negocia com desconto médio de cerca de 18% em relação ao valor patrimonial. “Quem tiver visão de longo prazo e aproveitar agora para comprar cotas descontadas pode colher grandes valorizações quando a Selic começar a cair — como vimos entre 2016 e 2019, quando o mercado valorizou mais de 140%”, afirma.

Destaques da semana entre os FIIs

Entre os fundos que movimentaram o mercado, o RBRL11 se destacou com a notícia de realocação dos módulos desocupados pela Belmicro. A Vulcabras assumirá o espaço no imóvel logístico, evitando impacto negativo no fluxo de receita e mantendo a vacância física e financeira em 0%. A única ressalva é o aumento da concentração da receita na nova locatária.

Já o GGRC11 anunciou a intenção de adquirir os imóveis do fundo RELG11 por meio de troca de cotas. A estratégia de crescimento via aquisição de portfólios menores é considerada criativa, mas analistas alertam para a necessidade de avaliar a qualidade dos ativos — que, neste caso, não estão nas principais praças logísticas do país.

O fundo PATC11, por sua vez, registrou uma notícia negativa com a rescisão antecipada de contrato pela locatária SMR em um dos módulos do edifício Central Vila Olímpia. O impacto previsto é de 2 centavos por cota, e investidores cobram um posicionamento mais claro da gestora Pátria sobre o futuro do fundo, que vem perdendo relevância no mercado.

Já o SARE11, fundo gerido pelo Santander, deve ser liquidado. A gestora iniciou a venda de seus três últimos ativos — incluindo o WT Morumbi — após já ter alienado um galpão em Barueri. Com desconto de 43% frente ao valor patrimonial, o fundo teve alta de 30% no último mês com a expectativa de liquidação no preço real dos imóveis, e não no preço de tela.

Conclusão

O cenário para o mercado de Fundos Imobiliários segue volátil, mas com sinais positivos. A manutenção da isenção de rendimentos de FIIs, mesmo com as mudanças fiscais em discussão, e o ciclo de alta da Selic beneficiando fundos de papel criam um ambiente de oportunidades — principalmente para investidores com visão de longo prazo. “É o momento de se posicionar antes que a maré vire”, reforça Mateus e Thiago.

Por Witz Wealth e TioFiis

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