Publicado em 30/11/2025 às 19h00.

Cármen Lúcia volta a defender a democracia e afirma: ‘O golpe me prenderia’

Ministra ainda comparou a ditadura com ervas daninha e disse que a democracia é como um jardim

Heber Araújo
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

 

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, defendeu a Democracia e criticou a tentativa de golpe orquestrada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração da ministra ocorreu neste domingo (30), durante conferência literária no Rio de Janeiro, onde ela afirmou que se a trama golpista tivesse dado certo, ela estaria presa.

“Outro dia alguém me perguntava por que julgar uma tentativa de golpe, se foi apenas tentativa. Meu filho, se tivessem dado golpe, eu estava na prisão, não poderia nem estar aqui julgando”, disse ela no discurso.

Ela ainda revelou que, alguns dos documentos apresentados como provas falavam sobre “neutralizar” ministros da Suprema Corte e políticos. Durante o julgamento, foi revelado que o plano, chamado de “Punhal Verde Amarelo” planejou o assassinato do ministro Alexandre de Moraes, além do a época presidente eleito e de seu vice, Lula (PT) e Geraldo Alckmin (PSB).

“Nesses julgamentos que estamos fazendo no curso deste ano, havia documentado em palavras, por exemplo, a tentativa de “neutralizar” alguns ministros do Supremo. Portanto, estava em palavras, as ordens eram dadas em palavras. A mesma coisa é a sentença, ela vem em palavras. Nós nos comunicamos pela palavra. A palavra traduz a alma de uma pessoa”, declarou a ministra.

Ainda no evento, Cármen Lúcia comparou a ditadura como uma erva daninha e que é necessário cuidar da democracia, como se cuida de um jardim. “A erva daninha da ditadura é igualzinha, não precisa de cuidado. Ela toma conta, ela surge do nada. Pra gente fazer florescer uma democracia na vida da gente, no espaço da gente, é preciso construir todo dia, é preciso trabalhar todo dia”

“Por isso é que eu digo que democracia é uma experiência de vida que se escolhe, que se constrói, que se elabora. E a vida como a democracia se faz todo dia. A gente luta por ela, a gente faz com que ela prevaleça”, completou.

A declaração da ministra ocorre dias depois do STF determinar que Jair Bolsonaro e os demais réus do núcleo um da trama golpista começem a cumprir penas imediatamente.

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