Publicado em 08/05/2026 às 11h40.

Junior Marabá contrata empresa de Chefe do Gabinete e é acusado de nepotismo indireto

O contrato firmado em 2018 já ultrapassa o investimento de R$ 78 mil

Lívia Patrícia / Lula Bonfim
Junior Marabá (PP), atual prefeito de Luís Eduardo Magalhães (Foto: reprodução/ Prefeitura de LEM)

 

Uma ação popular pede a anulação de um contrato de locação de espaço, firmado entre o município de Luís Eduardo Magalhães, na figura do prefeito Junior Marabá (PP), e a empresa ACS Castilho & Freitas, pertencente ao Chefe do Gabinete do Prefeito, Adehudes Castilho.

O caso está tramitando na 2ª Vara dos Feitos de Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais de Luís Eduardo Magalhães. O bahia.ba teve acesso ao texto da ação popular para a escrita desta matéria.

O contrato foi firmado, incialmente, em 2018, através de uma Dispensa de Licitação – modalidade usada para licitações de pequeno valor, situações de emergência ou em licitações fracassadas. O objetivo da contratação era alugar um imóvel onde pudessem funcionar as diversas pastas, como a Secretaria Municipal de Segurança, Ordem Pública e Trânsito.

O valor estabelecido para a contratação do imóvel localizado na Rua José Cardoso de Lima, nº 425, Lotes 04 e 05, Quadra 17, Bairro Mimoso do Oeste.em 2018, com base na análise técnica, foi de R$ 26.000,00. A empresa contemplada no processo foi a ACS Castilho & Freitas, que tem Adehudes Castilho como sócio admnistrador; esse fato é o que motiva a ação movida pelo vereador Daniel Farias (NOVO).

Segundo a própria descrição do atual Chefe do Gabinete do Prefeito, ele já era uma pessoa próxima da política local. O seu pai, Alaídio Castilho, foi vereador eleito por três mandatos. O texto conta que Adehudes concorreu para vereador em 2020, e, em 2021, assumiu o cargo de Superintendente de Trânsito. Em 2024, foi eleito vereador do município e, em 2025, assumiu o cargo atual. O texto da ação movida por Farias também cita o cargo de Secretario Municipal de Segurança, Ordem Pública e Trânsito.

De lá para cá, mesmo com a entrada oficial de Adehudes em cargos comissionados, o contrato continuou sendo prorrogado. No documento de abertura da ação, Farias argumenta que uma das provas disso é 5º Termo Aditivo ao Contrato, assinado em 2021 e que estendeu a vigência do acordo até 20022. O aporte previsto nesse documento era de mais de R$ 78.000,00, sendo realizados pagamentos mensais de R$ 27.020,75.

O contrato permanece até os dias atuais e o imóvel já passou por diversas secretarias, sendo parte utilizada para um Centro de Reforço Escolar.

Para o vereador Daniel Farias, conforme o escrito na ação pública, a contratação da ACS Castilho & Freitas é uma violação ” lógica constitucional da impessoalidade e moralidade no trato com a coisa pública” e acusa Junior Marabá e Adehudes Castilho de “nepotismo indireto”.

Diferente do “nepotismo” mais conhecido, com o favorecimento direto de familiares em cargos públicos da própria gestão, o “nepotismo indireto” ocorre, por exemplo, quando um prefeito nomeia parentes de aliados políticos para cargos comissionados, troca nomeações de parentes com outros membros do alto escalão – “você nomeia o meu aliado e eu nomeio o seu” -, e, neste caso, o favorecimento em licitações publicas. Sobre isso, o entendimento de Farias extrapola o campo dos parentes de sangue e também trata a contratação de um aliado próximo como nepotismo. Todos os casos configuram desvio de finalidade da atuação na Administração Pública.

Além da anulação do contrato, a ação também pede a atuação do Ministério Público da Bahia  no processo.

Lívia Patrícia
Sou soteropolitana e apaixonada por arte e cultura. Bacharela Interdisciplinar em Artes e Jornalista pela UFBA, tenho passagem pela Agência Diadorim, BP Money, g1 Bahia. Também participei da segunda turma do Focas Estadão (Curso Estadão de Jornalismo) de Saúde. Cubro Municípios no bahia.ba

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.