Publicado em 20/12/2018 às 18h20.

A 3 dias do recesso, depoimento de testemunhas de Lúcio no Conselho de Ética é cancelado

Deputado é investigado pela Polícia Federal por crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e peculato

Redação
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

 

A três dias do recesso parlamentar, marcado para domingo (23), o depoimento de testemunhas de defesa do deputado Lúcio Vieira Lima (MDB-BA) foi cancelado. A oitiva no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados ocorreria na quarta-feira (19), de acordo com informações da Agência Câmara.

O caso pode ser arquivado, por falta de tempo para conclusão dos trabalhos.

Lúcio é investigado pela Polícia Federal por crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e peculato, após a apreensão de R$ 51 milhões em um bunker atribuído ao irmão dele, Geddel Vieira Lima, em um apartamento em Salvador. Em delação premiada, o ex-executivo da empresa Odebrecht Cláudio Melo Filho afirmou que Lúcio Vieira Lima teria pedido e recebido vantagens financeiras em troca da aprovação da Medida Provisória 613/13, que beneficiava a empreiteira por meio de desonerações fiscais.

A representação por quebra de decoro foi apresentada pela Rede e o PSOL e tem como relator o deputado Hiran Gonçalves (PP-RR).

O presidente do colegiado, deputado Elmar Nascimento (DEM-BA), informou à Agência Câmara a finalização do processo dependeria da chegada de documentos sobre o processo contra Lúcio que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O bahia.ba não conseguiu contato com o parlamentar baiano nesta quinta-feira.

Na defesa enviada à Câmara, Lúcio argumenta que a investigação se trata de “fatos anteriores ao início do atual mandato” e, por isso, não mereceriam ser apreciados pelo Conselho.

“Aliás, esta sempre foi a orientação deste colegiado, aplicada inclusive no caso do ex- deputado Eduardo Cunha – o qual, apesar de acusado de atos ilícitos anteriores ao mandato, respondeu perante este Conselho apenas por ter faltado com a verdade durante depoimento em Comissão. O mesmo se deu quando do julgamento do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em que a Câmara dos Deputados limitou o procedimento a fatos cometidos apenas durante o
seu segundo mandato”, diz a defesa do deputado.