Publicado em 19/10/2021 às 09h11.

‘A prática do denuncismo faz parte da Petrobras’, diz ex-presidente Castello Branco

Ex-dirigente afirmou que 'radicais de extrema esquerda' tentaram bloquear venda da Refinaria Landulpho Alves

Redação
Foto: Divulgação / Agência Senado
Foto: Divulgação / Agência Senado

 

O ex-presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, que comandou a petrolífera brasileira entre 2019 e 2021, afirmou que a prática do denuncismo faz parte da companhia ao negar que teria realizado uma operação de venda de opções da Petrobras na Bolsa, após saber que deixaria a empresa, e com a qual teria obtido um lucro de R$ 11 milhões.

“No dia em que o conselho se reuniu para decidir sobre a venda da refinaria Landulpho Alves, na Bahia, em março de 2021, chegou uma carta anônima fazendo uma denúncia totalmente vazia, inclusive nominando o banco em que teria sido feita a operação. É ridículo. Se quisesse fazer uma operação do gênero e me beneficiar às custas da minha própria demissão, teria condições de fazer isso de outra forma. Sou uma pessoa que conhece dezenas de grandes portfolio managers, de operadores, não só em bancos brasileiros como estrangeiros. Teria dado uma dica para eles e ganho milhões de dólares e não R$ 11 milhões”, disse em entrevista ao Estadão, publicada nesta terça-feira (19).

Defensor da operação Lava Jato que, segundo ele, teve o “grande mérito de estancar o processo de corrupção” na estatal, Castello Branco culpou os “radicais de extrema esquerda” que, segundo ele, queriam bloquear a venda da refinaria Landulpho Alves.

“O bloqueio da venda foi tentado de todas as maneiras através da Justiça, inclusive no Supremo, sem resultado. Em dois julgamentos no Supremo, as teses contra a privatização de ativos da Petrobras, mais especificamente das refinarias, foram derrotadas. Então, recorreu-se ao banditismo de querer acusar pessoas inocentes, sem nenhuma prova, nenhuma indicação”, acusou.

Ainda conforme o ex-presidente, não foi apresentada nenhuma evidência.

“A prática do denuncismo, lamentavelmente, faz parte da Petrobras. Eu vi várias denúncias deste tipo envolvendo outras pessoas, com coisas como “o fulano de tal criou um esquema criminoso”. Que esquema? Criminoso por que? Qual a base da denúncia? Zero. Eram todas denúncias vazias”, disse.

Castelo Branco foi demitido após interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em abril deste ano. Segundo ele, o governo Bolsonaro “se acha o dono da Petrobras”.

“O presidente da República diz que é o dono da empresa e quer proceder como tal, desobedecendo regras e regulações. O presidente tem os caminhoneiros autônomos como seus apoiadores e defendia os interesses do grupo”.



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