Publicado em 11/09/2019 às 12h36.

ACM Neto surfa no turismo, justo onde o governo estadual mais patina

O prefeito começa a emplacar, de fato, a cereja do bolo, o Centro de Convenções da Boca do Rio

Levi Vasconcelos
Foto: Max Haack/Secom
Foto: Max Haack/Secom

 

Roberto Santos, o governador que construiu o Centro de Convenções da Bahia, que desabou em setembro de 2016, disse na época do acidente que o problema teve causa elementar: falta de manutenção, já que as estruturas metálicas são iguais às pontes no mar no mundo inteiro.

De lá para cá, o governo cogitou fazer um novo na área do Parque de Exposições e também no Comércio. Três anos depois da tragédia do velho centro, nada. Ou melhor, ainda estuda fazer no Comércio, no prédio do antigo Instituto do Cacau. Definição, nenhuma.

O tempero

Tal situação faz o trade turístico da capital, especialmente o hoteleiro, que viu suas taxas de ocupação desabarem, torcer o nariz. Os líderes do setor dizem que têm dificuldades até para dialogar.

É nesse terreno que ACM Neto surfa. Turbinou um calendário de festas, brigou para trazer a conferência sobre o clima e agora começar a emplacar, de fato, a cereja do bolo, o Centro de Convenções da Boca do Rio, já anunciando para 2020 a Bienal do Livro. E o trade, óbvio, aplaude.

Há quem diga que Salvador tem ‘sal’ no nome, uma alusão ao alto nível de salinidade na Boca do Rio, onde está o Centro de Convenções de Neto, a ser administrado pela francesa GL Events, multinacional, pelos próximos 25 anos, como se fosse um tempero maldito.

Dois detalhes: primeiro, o Centro do governo está deixando de ter sentido. Segundo, o sal só come o prédio se não houver manutenção.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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