Publicado em 06/09/2016 às 19h08.

Advogada envolvida com o tráfico recebe tratamento especial

Em cumprimento ao Estatuto da Advocacia, Rebeca Gonçalves (filha de veterana delegada da Polícia Civil) deixa presídio feminino e vai para Batalhão da PM, em Camaçari

Blog do Levi
Fotos: Divulgação/ SSP e CNA
Fotos: Divulgação/ SSP e CNA

 

Presa por envolvimento com o tráfico de drogas e outros crimes, a advogada Rebeca Cristine Gonçalves dos Santos – defensora e namorada do traficante Claudomiro Santos Rocha Filho, o Nicão – já está custodiada em conformidade com o que prevê a Lei nº 8.906/1994, o Estatuto da Advocacia. Antes recolhida ao presídio feminino, no Complexo Penitenciário do Estado, no bairro da Mata Escura, ela foi transferida nesta segunda-feira (5) para o 12º Batalhão de Polícia Militar de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, onde poderá usufruir de “instalações e comodidades condignas”, como prevê a legislação.

Autorizada pelos juízes Álvaro Marques de Freitas Filho e Marcos Adriano Silva Ledo, da Vara dos Feitos Relativos a Delitos Praticados por Organização Criminosa, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a transferência de Rebeca foi precedida de manifestações corporativas. Na quarta-feira, um dia após sua prisão, a Ordem dos Advogados do Brasil Seção Bahia (OAB-BA) se pronunciou: condenou as condições da cela em que a afiliada se encontrava, determinou a impetração de um habeas corpus em seu favor e destacou que ela possuía prerrogativa de Sala de Estado Maior. Nesta segunda-feira (5) pela manhã, foi a vez de um grupo de advogados protestar na Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado, no Fórum Criminal de Sussuarana, contra a permanência da colega no Conjunto Penal Feminino, na Mata Escura. A Associação dos Advogados Criminalistas também se posicionou e pediu que a associada fosse colocada em prisão domiciliar.

Rebeca – filha de uma veterana delegada da Polícia Civil – foi indiciada por tráfico de drogas, associação ao tráfico e lavagem de dinheiro. Ela é também suspeita de integrar um esquema para retardar audiências e beneficiar traficantes e homicidas na escolha de celas no sistema prisional, do qual fazia parte também Jusivel Viana Marques, ex-funcionário da antiga secretaria estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos  da Bahia (SJCDH).