Publicado em 09/07/2026 às 15h06.

Aécio Neves desiste de disputar Presidência e PSDB deve ficar neutro

O parlamentar também indicou que a legenda não deve apoiar nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

Luana Neiva
Cleia Viana/Câmara dos Deputados

 

O presidente nacional do PSDB, deputado federal Aécio Neves (MG), anunciou que não será candidato à Presidência da República nas eleições deste ano. A decisão representa uma mudança de rumo do partido, que havia aprovado, no mês passado, sua pré-candidatura durante reunião da Federação PSDB-Cidadania.

Na ocasião, o presidente nacional do Cidadania e vice-presidente da federação, Alex Manente (Cidadania-SP), defendeu o nome de Aécio como alternativa de terceira via para romper a polarização política e recolocar no centro do debate os principais desafios do país.

Em entrevista ao Estadão, Aécio afirmou que, após discussões internas, o partido concluiu que o momento exige foco na construção de um projeto político para o futuro, em vez de lançar uma candidatura própria.

“Depois de muitas conversas internas, tenho que afirmar, em primeiro lugar, que o PSDB caminha para não ter candidatura própria nesta eleição. Isso foi cogitado há pouco tempo. Eu próprio, você se lembra, sugeri o nome do governador Ciro Gomes como a nossa alternativa. Logo depois ele próprio, lideranças como Tasso Jereissati, Roberto Freire, dentre outras, sugeriram meu nome como esse candidato. Mas nós chegamos à conclusão de que nós temos que ter os pés no chão e sim iniciar a construção de um projeto vigoroso para 2030”, disse Aécio ao Estadão.

O parlamentar também indicou que a legenda não deve apoiar nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e sinalizou que a tendência é a federação adotar uma posição de neutralidade no pleito.

“ Nós vamos ter uma reunião da federação PSDB-Cidadania em breve, talvez nessas próximas duas semanas. O caminho natural hoje, depois de discutirmos até as possibilidades de uma candidatura, é o apoio a uma candidatura no centro. Mas o que nós percebemos é que, a três meses das eleições, ficou muito difícil furar essa bolha. Então, vamos dar um passo atrás para dar vários na frente e construir um projeto de Brasil a partir de agora já destas eleições”, afirmou.

Aécio também avaliou que a disputa presidencial deste ano tende a ser “a mais fratricida da história recente do Brasil”, em razão, segundo ele, das tentativas de ideologização do debate político.

Luana Neiva
Jornalista formada pela Estácio Bahia com experiências profissionais em redações, assessoria de imprensa e produção de rádio. Possui passagens no BNews, iBahia, Secom e Texto&Cia.

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