Publicado em 24/03/2020 às 13h27.

Alba entra na era do remoto com um pé na engrenagem de sempre

Como vai funcionar a Casa daqui por diante? A crise vai durar mais 30 dias? Ou 90?

Levi Vasconcelos

Não de agora, mas de longas datas, quedas de energias, quase sempre uma vez por semana, frequentam a rotina da Assembleia da Bahia. Ontem foi dia. No meio da manhã, na hora em que 59 dos 63 deputados estaduais baianos, cada um em sua casa, faziam a primeira sessão remota da história da Casa.

Quando a luz caiu, os deputados, a começar pelo presidente Nelson Leal (PP), se valeram dos celulares. Em pauta, o decreto que reconhece situação de calamidade na Bahia. Todos os 59 conectados votaram a favor. Até Hilton Coelho (PSOL), que vota contra tudo.

Nova sessão

Óbvio que para uma instituição como o parlamento que passou a vida inteira se nutrindo de enfrentamentos frente a frente, adotar as sessões remotas é um caso a pensar. E é isso que Nelson Leal vai fazer terça que vem em nova sessão on line.

Ele vai usar o modelo virtual justamente para perguntar aos colegas: como vai funcionar a Casa daqui por diante? A crise vai durar mais 30 dias? Ou 90?

Ou seja, o remoto é quebra galho. A ideia de chutar a política à moda antiga está descartada, além do que, mudar o rumo tecnológico para algumas pessoas seria sociológico: uma sessão normal da Alba utiliza 100 funcionários. Na remota, dez resolveram.

Mas a experiência foi aprovada. Rosemberg Pinto (PT), líder do governo, que estava numa sala da presidência, saiu comentando sobre os colegas:

— Eles pareciam um bando de adolescentes.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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