Publicado em 09/04/2026 às 18h46.

Após fala sobre whisky, Bruno Reis muda versão sobre adiamento de entrega de casas

Prefeito voltou a pontuar que não houve impedimento por parte do município para a inauguração do empreendimento

André Souza / Otávio Queiroz
Foto: Daniel Serrano / Bahia.ba

 

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), mudou a versão de uma declaração dada no início da semana e apresentou nesta quinta-feira (9) uma nova justificativa para o adiamento da entrega de unidades do Conjunto Habitacional Zulmira Barros, na capital baiana.

Antes, o prefeito havia afirmado que o governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não realizaram a entrega das casas porque teriam passado a noite “tomando whisky” no Palácio de Ondina.

Nesta quinta, porém, o gestor municipal adotou um discurso mais moderado e atribuiu o problema à articulação política da base governista para montagem das chapas proporcionais.

O prefeito afirmou que não houve impedimento por parte do município para a inauguração do empreendimento. “Claro que o Estado nunca precisou de qualquer autorização da prefeitura para iniciar ou para entregar qualquer obra. Mesmo não tendo os documentos, mesmo sem preencher os requisitos legais, só não tem como ter uma autorização formal.”, afirmou.

Bruno Reis afirmou ainda que chegou a sinalizar ao governo estadual que a entrega poderia ocorrer para evitar frustração das famílias. “Disse a Afonso Florence, na sexta-feira, que ele podia inaugurar a obra, por se tratar de uma obra pública, para não frustrar o sonho das pessoas.”

Ao explicar o motivo do adiamento, o prefeito atribuiu o atraso à agenda política da base governista no Palácio de Ondina. “Diversos integrantes da base deles foram chamados lá para o Palácio de Ondina. Ficaram até tarde tentando fechar a chapa”, pontuou Bruno.

Segundo ele, a articulação avançou pela madrugada e impactou a programação do dia seguinte. “Passaram a madrugada nessa tentativa de chegar a um consenso e se atrasaram no dia seguinte.”

Por fim, Bruno Reis afirmou que o acesso às unidades já está liberado, apesar da ausência do habite-se definitivo. “Está autorizado entregar as casas. As famílias podem adentrar no empreendimento.”

Governador criticou a prefeitura 

Na semana passada, Jerônimo afirmou que a gestão municipal não havia concedido o documento necessário para a entrega oficial das moradias, o que teria impedido a cerimônia com a presença de Lula.

“Nós iríamos hoje fazer uma entrega ao Zumira, um condomínio, mas não houve boa vontade da Prefeitura em liberar o Habite-se. E nós não iríamos botar o senhor [o presidente Lula] numa condição, se não tiver tudo pronto”, disse o governador durante visita às obras do VLT em Salvador.

O Residencial Zulmira Barros é um empreendimento com 300 unidades do programa Minha Casa, Minha Vida Entidades, no bairro Fazenda Grande IV.

Prefeitura rebateu o governador

Em resposta, a Prefeitura declarou ter recebido as críticas com “perplexidade” e informou que o processo segue em análise pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (Sedur), com pendências documentais.

Segundo a gestão municipal, há diálogo técnico com o governo do estado para viabilizar a liberação, mas a conclusão depende do cumprimento das exigências legais.

A divergência ocorre em meio ao acirramento político local e tem sido explorada por ambos os lados como parte da disputa sobre a responsabilidade pelo atraso na entrega das unidades.

André Souza
Jornalista com experiência nas editorias de esporte e política, com passagens pela Premier League Brasil, Varela Net e Prefeitura Municipal de Laje. Apaixonado por esportes e música, atualmente trabalha como repórter de Política no portal bahia.ba.

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