Publicado em 09/07/2020 às 10h27.

Bolsonaro, a história mirabolante de novo capítulo com a Covid na carne

Uma obra de ficção com eixo no realismo fantástico?

Levi Vasconcelos
Foto: Marcos Corrêa/ PR
Foto: Marcos Corrêa/ PR

 

Se alguém lá atrás escrevesse uma história narrando a trajetória de alguém que se tornou presidente da República com os lances de Jair Bolsonaro, certamente diriam que seria uma obra de ficção com eixo no realismo fantástico.

Um candidato a presidente de um partideco, o PSL, sem dinheiro e sem apoios, recebe uma facada, ganha o governo, se denga para Donald Trump, ensaia botar o filho embaixador nos EUA, diz que o presidente da França Emanuel Macron é casado com uma mulher feia, e no governo começou a chutar aliados por causa dos filhos, a começar por Gustavo Bebiano, demitido com dois meses de governo e morto de infarto no seguinte.

Outra coisa

A história tem o tempero dos aloprados que ele nomeou para o governo, como Abraham Weintraub (ex da Educação), Ricardo Sales (Meio Ambiente), Sérgio Camargo e a cereja do bolo, a atriz Regina Duarte, que começou a vida como namoradinha do Brasil, e no fim da história, era bruxa malvada.

Mas é na era da Covid que ganhou notoriedade. É contra o isolamento pregado pela ciência, demitiu Nelson Mandetta, um médico, do Ministério da Saúde, debochou se misturando com apoiadores sem máscara e agora aparece dizendo-se infectado. Houve quem dissesse na internet que era armação do próprio, para tirar proveito político. Mesmo não sendo, as estrepolias presidenciais são tantas que alguns duvidam, de boa ou má fé.

Bolsonaro já disse que a Covid é uma gripezinha e que todo mundo vai morrer um dia mesmo. E ele, que nunca exerceu nenhuma atividade na área de saúde, mas enfiou na cabeça que a hidroxicloroquina é o santo remédio contra o corona (algo já fartamente negado), diz estar se tratando com a dita cuja. Claro que ele não é um brasileiro comum no momento. Terá trato vip.

No que vai dar, fica para o próximo capítulo.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.