Publicado em 30/10/2015 às 11h52.

Brasil pode ter primeira candidata trans a prefeita

Psolista pretende concorrer ao cargo na cidade baiana de Alagoinhas

João Brandão

É na Bahia que o Brasil pode conhecer sua primeira candidata a prefeita transexual para as eleições de 2016. A cabeleireira e técnica de Informática Samara Braga, de 32 anos, disputa a vaga na Frente de Esquerda para se candidatar à Prefeitura de Alagoinhas, a 108 km de Salvador. Samara não nasceu mulher.

Foto: Divulgação/ Psol
Samara Braga pretende ser candidata a prefeita de Alagoinhas

Nascida em Salvador, ela se mudou para a cidade alagoinhense em 2005 para cursar Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado da Bahia e de lá não saiu mais. Há cerca de três anos, Samara optou pela transição de gêneros. A filha de dois professores conta que uma das principais barreiras para uma trans é a oportunidade de emprego. “Existe muito preconceito com algumas vezes ameaças de morte. E ainda tem os constantes assédios. É muito difícil”, lamenta ela, que prefere não falar sobre seu nome de batismo e pretende mudar seu nome social ano que vem. “Por questões burocráticas achamos melhor adiar. Assim não haverá a possibilidade de prejudicar a minha candidatura. Eu teria que fazer nova filiação e isso poderia atrapalhar o processo”, acrescentou.

Movida pela política de esquerda, Samara se filiou ao PSOL no inicio deste ano após se decepcionar com o PT. “Passei anos de minha vida como petista, inclusive meu primeiro voto foi justamente na época em que Lula ganhou pela primeira vez. A partir de 2013, quando tomei conhecimento do PSOL, eu comecei a ver uma luz no fim do túnel. Foi então que no início de 2015, depois de amadurecer bastante a ideia, resolvi me filiar”, contou ela. O desejo de realizar mudanças substanciais na cidade do Nordeste baiano fez com que Samara se tornasse pré-candidata a prefeita no próximo ano.

Não é novidade – Ser transexual e seguir o caminho da política na Bahia não é inovação. Em 2008, a dançarina Leo Kret foi eleita vereadora por Salvador, com a quarta maior votação, reunindo 12.861 votos na capital baiana. Leo nasceu Alecsandro de Souza Santos, mas como Samara, nas urnas preferiu o nome que ela se identifica, no caso Leo Kret do Brasil. Quatro anos depois, Leo Kret não conseguiu a reeleição. Ano passado, a dançarina tentou um cargo na Assembleia Legislativa, mas foi derrotada nas urnas.