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Publicado em 16/02/2026 às 15h28.

Carnaval de Salvador vive ‘tecnologia de escravização moderna’, diz Kleber Rosa

O psolista fez duras críticas ao prefeito nesta segunda-feira (16), durante a Mudança do Garcia, no Centro da capital

Neison Cerqueira / Rodrigo Fernandes
Foto: Rodrigo Fernandes / bahia.ba

 

O pré-candidato a deputado estadual Kleber Rosa (PSOL) respondeu às críticas do prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), que afirmou que ele desconhece as ações da gestão municipal. O psolista fez duras críticas ao prefeito nesta segunda-feira (16), durante a Mudança do Garcia, no Centro da capital.

“Ele [Bruno Reis] está tentando ressignificar a lógica do que é um patrocínio. Patrocínio é a empresa entrar com recursos para se beneficiar, sobretudo através de publicidade. O que Bruno Reis e a Brahma fazem no Carnaval é diferente”, pontuou.

Em defesa dos trabalhadores ambulantes, Rosa afirmou que o prefeito concedeu à Brahma o monopólio exclusivo de vendas. “Com um exército de trabalhadores trabalhando de graça para Brahma, para vender para Brahma, sob a condição de pagar antes”, disse.

Segundo ele, os profissionais utilizam recursos próprios para adquirir as mercadorias e trabalham em condições precárias.

“[Os ambulantes] trabalhando 24h, porque as pessoas dormem e acordam na rua, tendo que usar seu próprio dinheiro para adquirir a mercadoria, tendo que usar seu próprio recurso para comprar gelo, para transporte, para locomoção, para todo tipo de garantia de manutenção do seu trabalho no local e ainda tendo que pagar para a prefeitura para ter direito à licença”, pontuou.

O psolista classificou a situação como “tecnologia de escravização moderna”. “A Brahma e Bruno Reis promovem escravidão com os trabalhadores. Nós temos um recorde que já está sendo divulgado aí de público de um milhão e meio de pessoas na rua. Se a gente colocar isso os sete dias de Carnaval, vai dar o quê? Sete milhões, oito milhões, dez milhões de pessoas consumindo exclusivamente produtos da Brahma! Isso não é patrocínio, isso é contrato de exclusividade”, disse Kleber Rosa.

“Se parar para pensar, se não tiver o trabalho dos ambulantes esse contrato se materializa? Não! Esse contrato está condicionado à mão de obra dos trabalhadores que são obrigados a vender esse produto. Isso é escravidão moderna. Bruno Reis não tem o que responder sobre isso. Ele tenta se sair através de uma lógica de publicidade, que na verdade não é publicidade. É contrato de exploração de um nicho de consumo. Isso não é publicidade”, continuou.

Kleber defendeu que Bruno Reis seja denunciado e afirmou que usará sua voz para isso durante o Carnaval e ao longo do ano. “Os ambulantes sempre trabalharam no Carnaval. Sempre trabalharam de forma autônoma. Sempre venderam o produto que queriam, do preço que queriam, com as condições que lhes conviessem”, declarou.

“Hoje eles são obrigados a vender um produto e ainda comprar com seu próprio recurso, assumindo qualquer tipo de risco que possa ter nessa mercadoria. Isso é criminoso. Bruno Reis comete crime no Carnaval contra o nosso povo e eu não vou calar minha voz e vou denunciar o tempo todo”, concluiu.

Neison Cerqueira
Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política no portal bahia.ba.

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