Publicado em 01/06/2026 às 22h16.

CEO da AtlasIntel avalia cenário mais apertado nas eleições da Bahia

Andrei afirma que vê perda de força em discursos antigos do Bolsonarismo após escândalo

Gabriela Encinas
Foto: Gabriela Encinas/Bahia.ba

 

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, participou do evento “Diálogos que Transformam” da Associação Comercial da Bahia (ACB), realizado na noite desta segunda-feira (1º), em Salvador, e comentou o atual cenário político nacional e baiano. Durante a participação, Roman destacou o crescimento da empresa no setor de pesquisas eleitorais e atribuiu parte desse avanço ao uso das ferramentas digitais.

Segundo ele, a adaptação às mudanças de comportamento do eleitor, que hoje evita atender ligações telefônicas ou ser interrompido na rua para responder pesquisas, tornou o formato online um diferencial relevante. Ao analisar o cenário político nacional, Andrei afirmou que o movimento antipetista perdeu parte da força observada no ano em que Jair Bolsonaro (PL) foi eleito presidente. E avaliou que um novo ciclo do “fora Lula” dificilmente deve ganhar o mesmo fôlego.

“Eu diria que realmente existia um grande desejo dentro de uma parcela expressiva da população brasileira de punir o Lula. Era uma situação percebida com uma decadência moral, existia um eleitorado antipetista já muito enraizado e esse eleitorado foi atiçado pelos escândalos de corrupção”, disse Andrei.

O CEO da AtlasIntel também comentou o impacto do cenário político da direita nas pesquisas e afirmou que fatores, como o escândalo envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, influenciam a percepção do eleitorado.

“Me parece que diminuiu um pouco a temperatura, o entusiasmo em relação a esse projeto dentro do próprio campo da direita. E agora, finalmente, temos um grande escândalo de corrupção que afeta o próprio Flávio. Então é difícil manter o fôlego de um projeto anti-corrupção quando o principal exponente desse projeto, ele mesmo, é envolvido numa situação bastante pessoal com o operador da maior fraude bancária no Brasil nos últimos tantos anos. Talvez o maior escândalo bancário da história do país”, explicou.

Ao falar sobre a Bahia, Andrei Roman avaliou que a disputa eleitoral deve ocorrer de maneira mais equilibrada do que em eleições anteriores. quando o apoio do presidente Lula (PT) foi essencial. Para ele, a polarização política tende a desgastar diferentes grupos e que será decidido no detalhe.

“Vai ser um detalhe na Bahia porque o que a polarização faz, na medida em que ela avança, é que ela acaba, de certa forma, ferindo todo mundo. Provavelmente o Lula não vai conseguir repetir o desempenho tão forte que ele teve na eleição passada na Bahia”, declarou. Ainda assim, o especialista ponderou que uma eventual queda de desempenho do presidente não representa automaticamente vantagem para ACM Neto, já que a polarização não funciona assim.

Gabriela Encinas
Jornalista nascida em Salvador, com origens em Xique-Xique, no interior da Bahia, e com cidadania espanhola. Já trabalhou na produção da Band Bahia TV, atuou como repórter de Política no site Taktá e no site Panorama da Bahia.

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