Dança das cadeiras: Reforma ministerial antecipa xadrez eleitoral de 2026; entenda
As mudanças indicam uma tentativa de equilibrar objetivos centrais: fortalecer a base política no Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu mudanças estratégicas no primeiro escalão do governo como parte da reorganização política de olho nas eleições de 2026. A principal delas é a escolha de Olavo Noleto para assumir o Ministério das Relações Institucionais, no lugar de Gleisi Hoffmann, que deixará o cargo para disputar uma vaga no Senado.
Atual secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável – o chamado “Conselhão” -, Noleto já tem experiência na articulação política do governo. Ele foi secretário-executivo da própria pasta de Relações Institucionais durante a gestão de Alexandre Padilha, chegando a comandar o ministério interinamente em alguns períodos. Seu perfil político pesou na decisão de Lula, especialmente diante do cenário eleitoral.
Antes de ser designado para assumir a Casa Civil, Noleto era cogitado para concorrer a deputado federal por Goiás, mas acabou sendo alçado ao ministério. Outro nome lembrado para o cargo foi o atual secretário-executivo da pasta, Marcelo Costa, que conta com respaldo interno, porém é visto como mais técnico.
Em entrevista à CNN Brasil, Gleisi confirmou o nome de Noleto e anunciou publicamente a mudança no ministério. A titular da pasta também disse esperar um processo de transição tranquilo até março. Embora se especulasse que ela disputaria uma vaga na Câmara, Lula teria pedido que ela buscasse o retorno ao Senado.
Pela legislação eleitoral, ministros e ocupantes de cargos estratégicos precisam deixar suas funções até o início de abril para concorrer nas eleições de outubro de 2026.
Congresso observa mudança com cautela
O nome de Noleto é bem avaliado, já que consideram que ele tem bom trânsito institucional, embora não possua longa trajetória política em Brasília – algo considerado ideal para a função. Ainda assim, reconhecem que muitos quadros experientes estarão focados nas disputas eleitorais e não disponíveis para o ministério.
Um fator que deve reduzir tensões entre Planalto e Congresso é o novo calendário de pagamento das emendas parlamentares para 2026, aprovado no ano passado. A medida diminui a necessidade de negociações constantes, tradicionalmente conduzidas pelo Ministério das Relações Institucionais.
No entanto, há preocupação entre congressistas sobre um acordo informal firmado com Gleisi para acelerar a liberação de determinadas emendas negociadas com o governo. A dúvida é se o entendimento será mantido sob a nova gestão.
Além disso, o ministério perderá outros nomes importantes, como André Ceciliano, secretário de Assuntos Parlamentares, que deve concorrer a deputado estadual no Rio de Janeiro. Também são citados como possíveis candidatos Júlio Pinheiro, de Assuntos Federativos, e Moema Gramacho, secretária-executiva do Conselho da Federação.
Mudanças em pastas-chave
Outros ministérios centrais também passarão por transições. Confira quais:
Na Casa Civil, a saída de Rui Costa (PT-BA) está prevista para abril. Ele é cotado para disputar o Senado pela Bahia, embora também haja especulações sobre uma possível candidatura ao governo do estado.
A tendência é que o comando da pasta fique com Miriam Belchior, atual secretária-executiva, figura histórica dos governos petistas e ex-ministra do Planejamento no governo Dilma Rousseff.
Outro nome da Casa Civil, Bruno Moretti, chegou a ser apontado como possível substituto de Simone Tebet no Planejamento, mas Lula tem sinalizado que prefere mantê-lo no Planalto.
Na Fazenda, Fernando Haddad também deve deixar o ministério antes de março. Pressionado pelo PT para disputar o governo de São Paulo, ele resiste à ideia. O favorito para substituí-lo é o atual secretário-executivo Dario Durigan, considerado o principal gestor da pasta e com apoio direto de Haddad e boa relação com Lula.
Já no Ministério da Educação, existe a possibilidade de Leonardo Barchini assumir o lugar de Camilo Santana, embora essa mudança ainda não seja certa. Camilo, que tem mandato de senador até 2030, não pretende concorrer em 2026, mas pode deixar o cargo para se dedicar ao fortalecimento político do governador do Ceará, Elmano de Freitas.
Estratégia de Lula para 2026
As substituições vêm sendo debatidas diretamente por Lula com auxiliares próximos, incluindo Miriam Belchior. O presidente quer liberar ministros com forte influência regional para disputar eleições, com o objetivo de ampliar e fortalecer a base governista no Congresso a partir de 2027, caso conquiste a reeleição.
Ao mesmo tempo, o Planalto tenta evitar que a saída de quadros importantes comprometa o funcionamento do governo. Aliados demonstram preocupação de que eventuais falhas administrativas possam impactar negativamente a popularidade de Lula no período pré-eleitoral.
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