Publicado em 12/06/2026 às 18h23.

Del fracassa com projeto polêmico e vê indicação para presidência da Câmara naufragar

Sem respaldo entre os vereadores, prefeito acumula dois reveses

Redação
Foto: Divulgação

 

O prefeito de Simões Filho, Del Soares (União Brasil), conseguiu em poucos dias abrir duas frentes de desgaste com a Câmara Municipal e expôs um cenário de turbulência política justamente dentro da sua própria base.

Nos bastidores do Legislativo, a leitura predominante é de que o gestor “comprou uma briga desnecessária” ao defender mudanças no mandato da presidência da Casa e, de quebra, viu fracassar a articulação para emplacar seu nome preferido no comando do Parlamento.

A proposta anunciada por Del para reduzir de dois anos para um ano o mandato do presidente da Câmara caiu mal entre vereadores e foi recebida como uma tentativa de interferência em um assunto que pertence exclusivamente ao Poder Legislativo.

O desconforto foi imediato. Procurado pela reportagem, um vereador afirmou, sob reserva, que a iniciativa sequer encontra respaldo político dentro da Casa. “Percebo que todos são contra, portanto não existirá nem esse projeto”, disse o parlamentar.

Nos corredores da Câmara, o argumento repetido é que alterações nas regras internas do Legislativo são matéria de competência da Mesa Diretora e dos próprios vereadores, e não do Executivo. O anúncio do prefeito, longe de construir consenso, acabou servindo para unir parlamentares em torno da rejeição da ideia.

O episódio ainda reforçou uma percepção que cresce entre integrantes da base: a de que Del tem enfrentado dificuldades para calibrar sua interlocução política com o Legislativo, produzindo mais ruído do que alinhamento.

Naufrágio na presidência

Como se não bastasse o desgaste institucional, o prefeito também viu naufragar sua principal aposta para a sucessão no comando da Câmara.

Nos bastidores, Del trabalhava pela candidatura do vereador Belo Gazineu à presidência da Casa. A movimentação, porém, não ganhou musculatura suficiente para se consolidar. Sem votos para viabilizar a disputa, Belo acabou retirando seu nome da corrida.

Enquanto isso, o atual presidente, Itus Ramos, caminha para uma recondução praticamente sem sobressaltos, sustentado por apoio maciço entre os vereadores e beneficiado justamente pelo fracasso da ofensiva articulada contra sua permanência.

Em Simões Filho, o ambiente entre Executivo e Legislativo está longe da normalidade. Integrantes da política local já descrevem a relação como estremecida, e há quem enxergue na sequência de episódios um alerta para futuras votações de interesse do governo municipal.

Se a intenção era ampliar o controle sobre o Legislativo, o movimento produziu o efeito inverso. O tiro, por enquanto, parece ter saído pela culatra, e os próximos capítulos prometem ser acompanhados com atenção.

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