Publicado em 25/02/2026 às 09h05.

Deputado propõe criação da Conferência Municipal do Carnaval em Salvador

Proposta de Hilton Coelho (PSOL) foi endereçada para prefeito Bruno Reis (União Brasil)

Redação
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

 

O deputado Hilton Coelho (PSOL) apresentou, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), indicação endereçada à Prefeitura de Salvador para a criação da Conferência Municipal do Carnaval como instância ofi cial, democrática e permanente de formulação, acompanhamento e avaliação das políticas públicas do Carnaval. 

“A proposta é direcionada ao prefeito Bruno Reis e enfrenta de forma radical o processo de mercantilização, elitização e privatização da maior festa popular da cidade”, afirma o legislador. 

De acordo com o deputado, a Conferência Municipal do Carnaval é um instrumento de democracia cultural e controle social para virar esse jogo. Ele argumenta que o espaço terá o objetivo de disputar o modelo de festa, garantir transparência nos contratos de patrocínio e concessões, enfrentar a concentração de renda gerada pelo evento, democratizar o acesso e fortalecer o Carnaval dos bairros, descentralizando investimentos e programação para além dos circuitos tradicionais. “Carnaval não é mercadoria: é direito cultural do povo”, diz Hilton. 

“O Carnaval de Salvador é patrimônio cultural imaterial do povo soteropolitano, expressão viva da identidade negra e popular da cidade e motor da economia criativa. O modelo atual, porém, concentra recursos, privilegia grandes interesses empresariais e empurra para a margem quem faz a festa acontecer: trabalhadores informais, blocos afro, afoxés, artistas populares, ambulantes, catadores, cordeiros, técnicos de som, motoristas de trio, moradores dos bairros e foliões do chão da rua”, afirma. 

O parlamentar defende que as decisões sobre a festa não fiquem reféns de gabinetes e interesses privados. Ele alega que quem constrói o Carnaval com o próprio corpo e trabalho precisa ter voz real na definição das políticas públicas: da organização dos circuitos à proteção dos trabalhadores, do financiamento da cultura negra e popular à mitigação dos impactos urbanos e ambientais da festa. 

“Defender o Carnaval Popular é defender a cidade, a cultura negra, o trabalho digno e o direito de ocupar as ruas. Para nós, Carnaval é direito cultural. Sem povo decidindo, não tem festa justa. Defendemos mais participação, menos privatização. Sem participação popular, o Carnaval vira negócio para poucos. Com o povo decidindo, o Carnaval volta a ser do povo”, afirma Hilton.

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