Publicado em 15/04/2026 às 08h54.

‘É canalhice’, dispara Bruno Reis contra Jerônimo após polêmica com o Minha Casa, Minha Vida

Prefeito diz que gestão estadual é incompetente e se acha 'acima do bem e do mal'

Raquel Franco
Foto: Reprodução/Redes Sociais

 

O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), classificou como “canalhice” a narrativa do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), de que a prefeitura teria impedido a entrega das chaves do Residencial Zulmira Barros, do programa Minha Casa, Minha Vida. A agenda estava prevista para o dia 2 de abril, quinta-feira, com a presença do presidente Lula (PT).

Para Bruno, a gestão estadual tenta transferir a culpa por erros próprios e por falta de documentação. “Isso, desculpa, é deslealdade, é canalhice, dizer que a culpa é da prefeitura”, afirmou em entrevista na manhã desta quarta-feira (15) à Rádio Sociedade. Ele ainda disse que os adversários “se acham acima do bem e do mal” ao ignorar ritos legais.

Segundo o prefeito de Salvador, sua administração tem feito esforços para não travar projetos do estado, citando casos como o Estádio de Pituaçu e a Nova Rodoviária. “Todas as obras e equipamentos do governo do Estado, nenhum teve por parte da prefeitura qualquer atraso. Inclusive nunca foi impeditivo para iniciar ou inaugurar obra o fato de ter ou não o alvará, de ter ou não o habite-se”, afirmou.

Residencial Zulmira Barros

Em resposta às críticas do governador Jerônimo, Bruno afirmou que o Secretário de Desenvolvimento Urbano (Sedur), Sosthenes Macêdo, já havia liberado a entrega mesmo com pendências formais. 

“Mesmo assim, Sosthenes disse a Afonso Florence [secretário da Casa Civil] que as casas poderiam ser entregues. Aí eles ficaram quarta-feira [1º] até tarde da noite no Palácio de Ondina, fecha chapa, não fecha chapa, quem vai ser o vice… No outro dia, quem estava chateado não foi participar do evento porque não tinha definido a vice. Eles se atrasam, mexem com o sentimento das pessoas, e aí vem dizer que a culpa é da prefeitura. Peraí meu irmão, paciência tem limite”, disse Bruno.

Bruno questionou o porquê de as chaves ainda não terem sido entregues às famílias, uma vez que a Prefeitura já deu o aval. “Entrega as casas, porque não entrega? Porque agora quer marcar outro ato político para aparecer? Entregue logo a chave das pessoas. A prefeitura já disse que podia ser entregue. Assuma a responsabilidade e não transfira para terceiros. É um governo incompetente, com uma equipe incompetente, que não preenche as formalidades legais.”

VLT e metrô Campo Grande

Bruno deu exemplos de obras que seguem em execução sem o licenciamento completo. “O VLT está aí. Até hoje só tem alvará de terraplanagem, porque eles não concluíram a documentação para ter alvará de obra e a obra está em plena execução. Não tem alvará de nada”, disse. 

O mesmo cenário foi apontado na extensão do metrô até o Campo Grande. “Não tem alvará, não deram entrada na documentação toda e começaram a obra. Essa tem sido a praxe do governo do estado.”

Ponte Salvador-Itaparica 

Bruno demonstrou dúvidas quanto ao cumprimento do cronograma anunciado para a Ponte Salvador-Itaparica. Ele revelou que o pedido de alvará só foi protocolado recentemente, o que tornaria o prazo de início das obras inviável legalmente.

“Estão anunciando que dia 4 de junho vão começar a ponte. Só deram entrada no alvará na semana passada. É impossível licenciar uma obra dessa magnitude em apenas dois meses. Mas como eles começam sem documento, como eles começam sem autorização, porque se acham acima do bem e do mal, que não devem cumprir as formalidades legais, eles vão iniciar”, disse. 

Apesar das críticas sobre a condução do processo, ele ressaltou que é favorável ao projeto da Ponte Salvador-Itaparica e torce para que ele ocorra.

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Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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