Publicado em 17/12/2015 às 15h35.

Eliana Calmon abandona política: ‘Congresso tem doença moral’

Ministra do STJ considerou "escabroso" o caso de Eduardo Cunha e prometeu não se candidatar outra vez

Elieser Cesar
Foto: Divulgação/ CNJ
Foto: Divulgação/ CNJ

 

“O Congresso Nacional está doente e a doença é moral”. O diagnóstico foi feito pela ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), e ex-corregedora nacional de Justiça, em conversa com o bahia.ba. Ela participou na manhã desta quinta-feira (17), na Assembleia Legislativa, em Salvador, da concessão da Medalha 2 de Julho ao ex-ministro-chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage. Para a magistrada, se não padecesse de “uma doença do poder, uma doença moral”, o Congresso não teria recorrido ao Judiciário – no caso, o Supremo Tribunal Federal (STF) – para deliberar sobre as regras do rito do impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, quando o papel da Suprema Corte é solucionar conflitos.

Eliana Calmon considerou “escabroso” o caso do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que permanece no cargo apesar dos fortes indícios que o apontam como beneficiário do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. Candidata derrotada ao Senado pelo PSB da Bahia, nas eleições de 2014, a ministra do STJ se confessou desiludida com a política partidária e garantiu que não voltará a se candidatar outra vez.

“Saí da política gratificada com os mais de 500 mil votos que recebi, mas, depois do primeiro turno, disse que não continuaria na vida política se o PT ganhasse as eleições. Não tinha condições de competir em uma campanha em que se gastou muito dinheiro e se fez muitos conchavos”, apontou a ministra baiana.