Publicado em 12/03/2026 às 12h25.

Erika Hilton aciona MPF após ataques: ‘Audiência irrisória, apela à violência’

Apresentador Ratinho atacou a deputada, afirmando que ela não seria mulher e não deveria comandar a comissão das mulheres

Heber Araújo
Foto: Reprodução/redes socias

 

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) foi alvo de comentários transfóbicos do apresentador do SBT, Ratinho, após ela ser escolhida para a presidência da Comissão das Mulheres na Câmara de Deputados. Após o ataque, a parlamentar acionou o Ministério Público Federal (MPF), para investigar as declarações do apresentador.

Segundo o documento do MPF, a deputada pediu a abertura de uma ação civil pública com uma indenização no valor de R$10 milhões por danos morais coletivos causados à comunidade trans e travesti. Ela afirmou ainda que Ratinho negou, reiteradamente, a identidade de gênero da deputada ao comentar a notícia da presidência dela na comissão.

As declarações do apresentador ocorreram durante a exibição de seu programa, ao vivo, exibido na noite de quarta-feira (11). “Ela não é mulher, ela é trans. Para ser mulher tem que ter útero, menstruar, tem que ficar chata três, quatro dias. Eu sou contra. Eu acho que deveria deixar uma mulher”.

Na representação, Hilton apontou ainda que a conduta de Ratinho ultrapassa uma ofensa individual e atinge coletivamente toda uma comunidade ao negar identidade de gênero e reforçar preconceitos.

Em suas redes sociais, a deputada se manifestou sobre o processo e confirmou o processo contra o apresentador. Ainda na declaração, a parlamentar debochou, afirmando que o programa do apresentador não dá audiência, e só lhe resta apelar para violência.

“Sim, estou processando o apresentador Ratinho. Sei que, pela audiência irrisória de seu programa, que até onde sei não agrada nem suas chefes no SBT, lhe resta apelar à violência”, disse ela.

“Este ataque de Ratinho foi contra todas as mulheres trans e contra todas as mulheres cis que não menstruam mais ou nunca menstruaram. Foi contra todas as mulheres cis que nunca tiveram útero ou, por condições de saúde, como o câncer, precisaram removê-lo. Foi contra todas as mulheres que não podem ou não querem ter filhos. Foi contra as mulheres que perderam seus filhos ainda na gestação. O discurso de Ratinho foi, sim, para me atacar e atacar as pessoas trans. Mas demonstrou a misoginia, o ódio primal que essa figura nojenta tem de toda e qualquer mulher que não siga o roteiro que ele considera certo”, completou.

Heber Araújo
Formado em jornalismo pela Unijorge e pós-graduado pela Faculdade Olga Mettig, exerce a função de repórter de Política no bahia.ba. Anteriormente, teve passagem pelo Muita Informação e pelo BNews. Também já atuou como assessor de imprensa para a prefeitura de Salvador e ONGs.

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