Publicado em 19/05/2026 às 07h19.

Escala 6×1: Léo Prates propõe transição de até 5 anos para jornada de 40 horas

O deputado federal baiano é o relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)

Neison Cerqueira
Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

 

O deputado federal Leo Prates (Republicanos-BA), relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6×1 – seis dias trabalhados para um de descanso -, defende uma transição gradual para a nova jornada semanal de 40 horas. Segundo ele, a mudança poderia ocorrer ao longo de um período entre dois e cinco anos.

Em entrevista ao videocast C-Level Entrevista, da Folha de S.Paulo, o parlamentar argumentou que a relação entre trabalhadores e empregadores nessa escala é desigual e que cabe ao Estado estabelecer regras para equilibrar esse cenário.

“O poder no capitalismo é o do dinheiro, e sempre quem tem mais dinheiro tem mais poder. Então essa relação, principalmente de quem tá na escala 6×1, é bastante assimétrica. Eu acho que o Estado deve regular”, afirmou.

Prates também pretende sugerir que, durante o período de transição, as horas extras que excederem a jornada padrão até o limite atual de 44 horas semanais sejam desoneradas.

A proposta ainda prevê um prazo de até 180 dias para votação de um projeto que irá regulamentar a nova jornada para empresas com contratos públicos, micro e pequenas empresas e categorias profissionais específicas.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no entanto, sinalizou resistência à proposta. De acordo com o deputado, a decisão sobre o andamento da PEC deve ficar a cargo do presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Hugo Motta (Republicanos-PB).

A previsão é que o parecer seja apresentado nesta semana em comissão especial, com expectativa de votação no plenário no dia 27.

Pelo texto da PEC, a regra geral estabelece jornada semanal de 40 horas com dois dias de descanso – sendo um preferencialmente aos domingos. Já as escalas de categorias específicas poderão ser definidas por lei ou por negociações coletivas, desde que sejam garantidas pelo menos oito folgas mensais e um limite máximo de seis dias consecutivos de trabalho.

“Estamos colocando um teto, porque se coloco a média do mês, [o trabalhador] poderia trabalhar sete dias. Não permitiremos isso. O que vou permitir é uma conta de compensação”, explicou.

O deputado também afirmou que o modelo prevê flexibilidade para profissões que já adotam regimes diferenciados, como a escala de 12 horas de trabalho por 36 de descanso, comum entre profissionais da saúde e da segurança pública.

Durante o período de transição, a jornada diária poderá chegar a até 10 horas por dia. Atualmente, a legislação estabelece limite de oito horas diárias.

Neison Cerqueira
Jornalista, com atuação na área de política e apaixonado por futebol. Foi coordenador de conteúdo do site Radar da Bahia, repórter do portal Primeiro Segundo e colunista em ambos os veículos. Atuou como repórter na Superintendência de Comunicação da Prefeitura Municipal de Lauro de Freitas e, atualmente, cobre política no portal bahia.ba.

Mais notícias

Este site armazena cookies para coletar informações e melhorar sua experiência de navegação. Settings ou consulte nossa política.