Publicado em 11/08/2020 às 21h00.

Escolhido para dirigir órgão federal por dois anos é investigado pela Lava Jato

Nomeado como diretor da Codevasf, Davidson Tolentino tem relações estreitas com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira

Redação
Foto: Divulgação/Codevasf
Foto: Divulgação/Codevasf

 

Investigado pela Operação Lava-Jato, Davidson Tolentino foi nomeado para o cargo de diretor na Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), pelos próximos dois anos. Tolentino tem relações estreitas com o senador Ciro Nogueira (PI), presidente do PP.

No dia 14 de julho, o presidente do conselho de administração da empresa acatou a indicação do Ministério de Desenvolvimento Regional e elegeu Davidson a diretor da Área de Revitalização de Bacias Hidrográficas. Em 4 de agosto, sua permanência no cargo foi estendida por mais dois anos pelo conselho.

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, Davidson tem ligações com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PP-PI), e irá substituir Marcelo Andrade Moreira Pinto, indicado pelo deputado federal baiano Elmar Nascimento (BA), então líder do DEM, no ano passado.

O fato de o partido seguir com influência na estatal ajuda Bolsonaro a manter uma boa relação com a sigla do centrão – de quem o presidente tem se aproximado para receber apoio político em troca de cargos.

Davidson foi citado em duas investigações: no andamento da Lava-Jato, o ex-assessor de Nogueira, José Expedito, disse à Polícia Federal que ele e Davidson recolhiam dinheiro de origem desconhecida e estocavam em um quarto de hotel na cidade de São Paulo – segundo ele, esse dinheiro iria para o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) e seu amigo, o advogado Marcos Meira.

O diretor nomeado da Codevasf também é alvo de investigação no âmbito de ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Federal em 2019: ele, junto com o ex-ministro da Saúde Ricardo Barros e outros funcionários da pasta são acusados de improbidade administrativa, prejuízo ao patrimônio público e favorecimento de empresas em licitações.

Em 2018, um ex-assessor do senador Ciro Nogueira relatou à Polícia Federal que arrecadou dinheiro com Davidson algumas vezes, por determinação do senador, e que, entre 2013 e 2015, recolheu R$ 100 mil pessoalmente, no apartamento de Davidson. Na época, o senador negou as acusações ou ter cometido qualquer ilícito.

Davidson Tolentino já ocupou diversos cargos comissionados no governo federal. Foi diretor do Ministério do Trabalho e Emprego (2012), do Ministério das Cidades (2014), na Companhia Brasileira de Trens Urbanos (2014-2016) e diretor no Ministério da Saúde (2016).

Devido a suspeitas de que estaria envolvido em esquemas de corrupção, o ex-presidente Michel Temer chegou a retirar a indicação de Davidson Tolentino para a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Seu nome foi rechaçado por diversas organizações, como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) e a Associação Brasileira de Economia da Saúde (Abres).