Publicado em 17/12/2019 às 21h20.

‘Foi golpe’, diz Marta sobre aprovação de PL que tira nome de Paulo Freire de escola

Análise da matéria proposta pelo vereador Alexandre Aleluia (DEM) não constava no acordo de votação da Câmara

Redação

 

Foto: Iziz Moacyr/bahia.ba
Foto: Iziz Moacyr/bahia.ba

 

Líder do PT na Câmara Municipal de Salvador, a vereadora Marta Rodrigues (PT) definiu como golpe a aprovação do projeto de lei do vereador Alexandre Aleluia (DEM), nesta terça-feira (17), que muda o nome da Escola Municipal Paulo Freire para Escola Municipal José Bonifácio. De acordo com ela, além de o projeto não ter sido incluído no acordo de votação da Casa, consta na proposição a sonegação de informação para os vereadores, uma vez que a emenda fala em denominação ao invés de alteração.

“Fomos pegos de surpresa. A intenção do PL de Aleluia é claramente perseguir e retirar o nome de Paulo Freire, por causa do ódio que ele nutre pelo pedagogo, assim como o presidente Bolsonaro. Salvador tem centenas de escolas municipais, mas a escolha dele foi justamente a chamada Paulo Freire, para afrontar professores e todos aqueles que prezam pela diversidade e pluralidade na educação. Absurdo não é só retirar o nome do patrono da educação brasileira de uma escola municipal, mas também o fato de que este PL não estava incluso no acordo de votação”, disse Marta.

Como afirma a vereadora, o educador é considerado no Brasil e no mundo um dos principais filósofos que contribuíram para uma pedagogia inclusiva, sendo o brasileiro mais homenageado da história. “Paulo Freire recebeu mais de 40 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades da Europa e América e é um dos filósofos mais citados em artigos acadêmicos”, acrescenta Marta, que garantiu ainda não ter pretensão de desmerecer a história ou quem foi José Bonifácio.

“Mas com tantas escolas para mudar o nome, escolher a Paulo Freire deixa claro que é uma provocação e um desrespeito ao patrono da educação brasileira. Fora isso, ele propõe no PL denominar uma escola que já tem nome”, pontuou.

Em meios as críticas do presidente Jair Bolsonaro, o Senado aprovou nesta terça a realização de uma sessão solene em homenagem ao educador, enquanto a Câmara de Deputados aprovou uma moção de aplausos.

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