Publicado em 06/09/2016 às 21h00.

Governo enviará reforma da Previdência ao Congresso ainda este mês

Proposta estabelece idade mínima de 65 anos para aposentadoria. Parte da base aliada defendia encaminhamento do texto só após eleições.

Agência Estado
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

 

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, anunciou que o presidente Michel Temer decidiu, em reunião no Planalto, que vai mandar para o Congresso a reforma da Previdência antes da eleição. “O presidente Temer achou que, simbolicamente, por tudo que o Brasil atravessa neste momento e já que o governo não tem dúvida da necessidade de implementar, que nós mandemos antes de o processo de eleição findar”, declarou Geddel, em entrevista, sem dizer a data exata do envio

O ministro salientou ainda que o governo vai “fazer todo o esforço” de aprovar o mais rápido possível a proposta, respeitando os prazos do Congresso. E acrescentou: “Nós vamos jogar todo o peso do governo junto a nossa base para que a tramitação seja breve”. Segundo Geddel, “não há divergência” entre o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, em relação ao teor do projeto da Previdência. “Eu já conversei com os dois hoje. É mais uma questão de estratégia parlamentar e não de mérito”, justificou, acrescentando que o governo vai ainda amarrar a melhor data para o envio, mas “já está definido pelo presidente que será agora em setembro”.

Lembrado que o DEM e partidos da base se queixam que isso pode atrapalhar os candidatos nas eleições municipais, Geddel respondeu: “Isso não é argumento. O argumento que vai valer é que o governo, que a base defende, tem a responsabilidade de apresentar a reforma necessária para botar o Brasil nos trilhos” E emendou: “A decisão de encaminhar a reforma da Previdência é irreversível. O governo acha que não tem condição de a Previdência manter-se do jeito que está e o nosso objetivo é criar condições de que aqueles que dependem da Previdência possam ter a certeza de que receberão seus benefícios e não viverão com a Previdência quebrada”.

O ministro confirmou que a idade mínima de aposentadoria será de 65 anos mas que terá uma regra de transição, que ainda está sendo discutida com o presidente Temer. “Estamos em fase final de discussão para o presidente bater o martelo”, afirmou ele, lembrando que o governo está discutindo amplamente o tema com a sociedade e vai prosseguir fazendo isso. Da mesma forma, o presidente Temer também vai fazer reuniões com bancadas para tratar do mérito da proposta. O Planalto rejeitou a ideia que esteja cedendo à pressão do PSDB e argumenta que Temer já tinha dito que pretendia encaminhar a proposta antes das eleições.