Publicado em 04/07/2026 às 09h01.

Governo Lula traça estratégia para conter tarifaço dos EUA e isolar Flávio Bolsonaro

Planalto intensifica conversas com Departamento de Comércio americano para barrar taxa de 25%

Pevê Araújo
Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

Temendo um novo “tarifaço” dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PL) desenhou uma estratégia para isolar eventuais interferências políticas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), concentrando as tratativas no campo técnico.

Segundo informações divulgadas pelo site Metrópoles, o Palácio do Planalto fixou o dia 15 de julho como prazo limite para tentar fazer a administração americana recuar da imposição de uma alíquota de 25% sobre os produtos importados do Brasil. O foco central da diplomacia brasileira é impedir que o viés ideológico contamine e prejudique o andamento das conversas.

Essa postura técnica encontra respaldo no próprio Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). De acordo com assessores da ala internacional do governo federal, o órgão americano já reforçou em seguidas ocasiões que desaprova a politização do debate, argumentando que o embate partidário desqualifica a fundamentação técnica do processo.

Com base nessa sinalização, o Executivo brasileiro direcionou seus esforços de diálogo para os quadros técnicos do governo dos EUA, estabelecendo canais diretos com diplomatas e com o Departamento de Comércio norte-americano.

A meta é blindar as negociações da pressão exercida por setores do Departamento de Estado, chefiado pelo secretário Marco Rubio, que mantêm proximidade com a família Bolsonaro.

O senador Flávio Bolsonaro também buscou se posicionar diante da iminência das sanções econômicas. Em carta remetida a Marco Rubio no começo de junho, o parlamentar do PL solicitou que Washington não acione o aumento tarifário contra o mercado brasileiro.

Em resposta enviada ao parlamentar, Rubio recordou a existência de uma investigação em curso por parte das autoridades norte-americanas sobre as práticas comerciais do Brasil e ressaltou que ainda há discordâncias significativas entre os dois países nas esferas econômica e comercial.

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