Publicado em 08/01/2016 às 11h11.

Infelizes anos velhos. E o ano novo também

“Ano novo, vida que segue com os problemaços de 2015 piorados”, analisa Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos

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Ano novo, vida nova. A expressão aí, sempre dita em larga escala a cada início de ano, não vale para 2016. Neste momento o mais correto seria dizer: “Ano novo, vida que segue com os problemaços de 2015 piorados”.

O ano novo chegou com aumento de tudo, o mais notório deles, o transporte público. E já há previstos para os próximos três meses as tarifas de água e esgoto, pedágio, passagem de ônibus intermunicipal, táxi e energia elétrica, além da alta do dólar, que impacta em alimentos como o pão, feito de trigo.

Nesta quinta-feira (7), em um café da manhã com jornalistas, a presidente Dilma Rousseff admitiu não ter calculado a imensidão da crise em 2014. Externou palavras de esperança de um 2017 melhor, para em seguida vaticinar: “Não é questão só de reequilíbrio fiscal, mas também é questão de saúde pública. Aprovar a CPMF pode ajudar a resolver o problema da saúde pública no país”.

Tabefe no povo – Eis a questão: dá para ter esperança de que por aí o Brasil vai melhorar? Ou melhor: a presidente admite que não vislumbrou o tamanho da crise quando era tempo de fazer os ajustes dosados e agora, no meio de um festival de aumentos, propõe mais um imposto.

O imbróglio mostra quão longe o Brasil está de encontrar o caminho dos acertos. Recentemente a Suécia foi abalada com o escândalo da deputada Mikaela Valtersson, do PV de lá, que recebe tíquetes para pegar o metrô e cometeu a suprema ousadia de andar de táxi com dinheiro público.

Aqui, a gastança de dinheiro com carros oficiais em todos os poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Tribunais de Contas), sem falar em outras mordomias, é algo de estarrecer.
Um Executivo fragilizado, como é o que Dilma representa, uma oposição caolha, mais conveniente do que convincente como a que temos, nos coloca diante da esdrúxula realidade: sem falar na imoralidade da roubalheira desenfreada, um câncer que já deu metástase.

Ninguém cogita abolir as mordomias que soam como um tabefe persistente na cara do trabalhador, que rala sol a pino para ganhar um salário mínimo e o que lhe pedem é mais sacrifícios.

Jogo velho – Ainda indagando: dá para ter esperanças numa virada de jogo? Para temperar, a bolsa da China cai e abala a economia do planeta. O Brasil, que tem os chineses como principais parceiros comerciais, sofre diretamente com isso.

Não se anime. Dois mil e quinze, com a vastidão do escândalo da Lava Jato, mais os equívocos na condução da economia, um governo incapaz de botar o país nos trilhos, somados ao passivo dos nossos erros históricos na governança, nos deixou em uma situação lastimável.
Não dá para ser feliz. Não tem como. Muito menos em 2016.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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