Jerônimo apresenta nova política para penas alternativas à prisão; entenda
A proposta foi entregue à ALBA nesta terça (19)

O governo de Jerônimo Rodrigues quer instituir a Política Estadual de Alternativas Penais para adequar o sistema prisional baiano à recomendação do Supremo Tribunal Federal (STF) de superar inconstitucionalidades nas unidades. O Projeto de Lei (PL) foi entregue nesta terça-feira (19) à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), com regime de urgência.
A proposta cria a Superintendência de Alternativas Penais na estrutura organizacional da Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (SEAP). A medida prevê a criação da Central Integrada de Alternativas Penais (CIAP).
O novo órgão deve ter cerca de 600 cargos, com previsão do custo de pessoal de R$ 922 mil em 2025. O orçamento para os exercícios de 2026 e 2027 é estimado em R$ 1,3 milhão por ano.
Essa política orientará as ações do Estado em colaboração com o Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e demais órgãos da execução penal no cumprimento de penas e medidas alternativas à prisão, com enfoque restaurativo, em substituição à privação de liberdade.
A Superintendência de Alternativas Penais será responsável por dirigir, coordenar e monitorar as ações de implementação e gestão das alternativas penais.
Algumas ações da Política Estadual de Alternativas Penais são a implantação de equipes multidisciplinares voltadas ao atendimento e acompanhamento das pessoas em alternativa penal e suporte técnico especializado para cumprimento das medidas aplicadas. O Poder Judiciário deve estimular a criação de Varas Especializadas em Alternativas Penais.
A proposta extingue a Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas da Bahia (CEAPA) e seus núcleos espalhados no interior.
Alternativas penais
Segundo a medida, alternativas penais são mecanismos adotados para a intervenção em conflitos e violências como alternativas ao encarceramento.
Ela lista oito possibilidades de execução da pena, como medidas cautelares, transação penal, suspensão condicional do processo e da pena privativa de liberdade, penas restritivas de direitos, acordo de não persecução penal, medidas protetivas de urgência em caso de violência doméstica contra a mulher e técnicas de justiça restaurativa.
Objetivos da Política Estadual de Alternativas Penais
Os objetivos incluem a redução da taxa de encarceramento, a intervenção penal mínima e restaurativa, orientada pela auto responsabilização, a proporcionalidade das medidas penais e reparação dos danos.
Outros objetivos são promover a proteção social das pessoas em alternativa penal, sua inclusão em políticas públicas, a manutenção do vínculo com a comunidade e restauração das relações sociais.
É previsto a valorização da dignidade, liberdade, autonomia e protagonismo das pessoas em alternativa penal, a promoção da cultura da paz e o enfrentamento às discriminações de raça, faixa etária, gênero, orientação sexual, deficiência, origem étnica, social, regional e religiosa.
Segundo a política, as medidas para homens autores de violências contra as mulheres terão atenção.
ADPF nº 347
Segundo o documento, a nova política visa superar práticas inconstitucionais no sistema prisional brasileiro. Ela segue a recomendação da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF nº 347, acatada por unanimidade pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em outubro de 2023.
A ADPF nº 347 reconhece o cenário de violação massiva de direitos fundamentais no sistema prisional brasileiro. Segundo análise do Supremo, são negados aos presos direitos à integridade física, alimentação, higiene, saúde, estudo e trabalho. A situação das prisões compromete a capacidade do sistema de garantir a segurança pública e ressocializar os presos.
Para superar as inconstitucionalidades, o STF elencou três principais problemas do sistema. As prisões têm vagas insuficientes e de má qualidade, entrada excessiva de presos, inclusive em casos em que a prisão não é necessária, e a saída atrasada de presos, com cumprimento da pena por tempo maior do que a condenação.
O Supremo determinou que a audiência de custódia deve ser feita no prazo de 24hs da prisão, para verificação pelo juiz da necessidade e legalidade da prisão; a separação de presos provisórios dos condenados definitivamente; e regulamentação, pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da criação de varas de execução penal, em quantidade proporcional ao número de varas criminais e à população carcerária de cada unidade da federação.
Mais notícias
-
Política19h58 de 07/06/2026
Lula veste camisa da Seleção e manda recado: ‘O Brasil é dos brasileiros’
A publicação foi feita poucas horas antes da vitória da Seleção Brasileira por 2 a 1 sobre o Egito
-
Política18h48 de 07/06/2026
Nikolas rebate professora da UFBA após vídeo sobre racismo: ‘Povo fresco’
Parlamentar criticou a educadora após um vídeo em que ela relatou ter se sentido incomodada durante um atendimento
-
Política17h00 de 07/06/2026
Jerônimo Rodrigues indica esposa de Mário Negromonte Jr. para vaga no TCM
A vaga está aberta desde agosto de 2025
-
Política16h40 de 07/06/2026
STM julga recurso de Bolsonaro em ação sobre patente militar
A defesa tenta afastar o ministro brigadeiro Joseli Parente Camelo do processo que pode resultar na perda da patente
-
Política11h17 de 07/06/2026
Alckmin cita impactos da guerra no Oriente Médio sobre setor aéreo
Vice-presidente defendeu cooperação internacional para enfrentar alta dos custos da aviação
-
Política10h52 de 07/06/2026
Bobô destaca avanço das obras preparatórias da Ponte Salvador-Itaparica
Deputado citou chegada de equipamentos e montagem de canteiros como sinais do andamento
-
Política10h26 de 07/06/2026
STF retoma debate sobre responsabilidade das redes sociais no Brasil
Corte volta a analisar recursos de Google e Meta sobre dever das plataformas digitais
-
Política06h45 de 07/06/2026
Alcolumbre sinaliza avanço da PEC da Segurança no Senado
Aliados veem ambiente mais favorável para discutir a proposta ainda em 2026
-
Política06h21 de 07/06/2026
Brasil busca reverter veto da União Europeia a carnes
Governo e setor produtivo intensificam negociações para atender exigências sanitárias
-
Política17h05 de 06/06/2026
Deputado critica ‘repromessa’ da construção da ponte no Rio Jucuruçu em Prado
Parlamentar afirma que projeto foi anunciado em 2022 e não foi concluído










