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Publicado em 06/01/2026 às 08h31.

Lula vai vetar PL da Dosimetria no dia 8 de janeiro, diz Jaques Wagner

Líder do governo no Senado afirma que PT foi contra projeto e rebate críticas de aliados

Raquel Franco
Foto: Reprodução/Redes sociais

 

O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou que o presidente Lula (PT) vai vetar o PL da Dosimetria nesta quinta-feira (8), dia em que será realizado um ato para lembrar os três anos desde os ataques para tentativa de golpe de Estado no dia 8 de janeiro de 2023.

“O PT fechou questão contra a dosimetria, eu encaminhei pelo governo contra a dosimetria e quinta-feira, imagina o que vai acontecer no 8 de janeiro? Ele [o presidente Lula] vai vetar a dosimetria”, disse o senador em entrevista à Rádio Sociedade na manhã desta terça-feira (6).

Acordo para votação no Senado

Ao detalhar o trâmite da proposta no Congresso, Wagner explicou que a votação, ocorrida em dezembro de 2025, foi fruto de uma articulação para destravar a pauta econômica do governo. Segundo ele, “ninguém vota uma matéria sem ter uma conversa com o Senado” e a manutenção do calendário era vital para o Orçamento da União. “Democracia você discute, mas vota; não vai discutir ad infinitum”, afirmou o senador ao defender a decisão.

A estratégia envolveu a votação conjunta do PL da Dosimetria com o pacote batizado pelo senador como “BBB”, sigla para bancos, bilionários e bets. Wagner destacou a urgência de endurecer a fiscalização sobre as chamadas fintechs após investigações apontarem o uso do sistema financeiro pelo crime organizado. 

“A Polícia Federal naquela grande operação que fez contra o PCC foi bater aonde? Na alma, no centro do mercado financeiro brasileiro, que é a Faria Lima. E ficou claro que tinham várias fintechs que usavam inclusive um instrumento popular, que é o Pix, para fazer lavagem de dinheiro”, afirmou.

Divisão

Apesar do encaminhamento contrário da liderança do governo, a matéria foi aprovada por 48 votos a 25. Wagner justificou a realização do pleito como parte do jogo democrático, onde o governo priorizou a arrecadação e a regulação financeira. 

“O que que aconteceu? A matéria veio e alguns tentaram fazer uma manobra para esticar, pedir vistas, e ficar para o ano que vem. Para mim interessava realmente votar ano passado por conta do orçamento da União. É óbvio que se estourar uma coisa, podia estourar outra. Eu ganhei a BBB e eles ganharam a dosimetria”, disse. 

“Rapaz, é melhor ou calça de veludo ou bumbum na rua, concorda? Tem que votar”, completou o senador.

Críticas internas

Wagner também aproveitou para rebater críticas severas que recebeu nas redes sociais, classificando as acusações de que teria apoiado o projeto como “fake news”. Ele direcionou a responsabilidade ao senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmando que o colega “objetivamente fez uma fake news completa”.

Wagner demonstrou desconforto com a reação de setores da própria base aliada durante o episódio. “Tomei facada pelas costas de algum dos nossos que não aguentam ver a rede esquentar que vai logo entregando o jogo, essa que é a verdade”, afirmou. 

O senador finalizou reafirmando sua independência em relação à pressão digital. “O dia que eu for conduzido pela rede, é melhor eu largar o cargo. Eu acho que quem quer ser líder tem que ter posição. Às vezes você recebe o aplauso, às vezes você recebe a crítica justa e às vezes você recebe a crítica injusta”, concluiu Wagner.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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