Publicado em 26/01/2021 às 17h25.

Maia demonstra insatisfação com Neto e teme que DEM vire ‘partido da boquinha’

Parlamentar afirmou que união da legenda para votar em Baleia Rossi para ser seu sucessor na Câmara estava difícil

Redação
Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil | Valter Pontes/Secom
Fotos: Fernando Frazão/Agência Brasil | Valter Pontes/Secom

 

Durante uma reunião no Palácio da Cidade, sede da Prefeitura do Rio de Janeiro, nesta terça-feira (26), o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, disse temer que o Democratas receba o apelido antigo de “partido da boquinha”. De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, em relatos conseguidos após o encontro, Maia afirmou que união da legenda para votar em Baleia Rossi para ser seu sucessor na Casa estava difícil. Também participaram do encontro o prefeito do RJ, Eduardo Paes, e deputados federais de partidos de direita e esquerda.

Conforme a publicação, o parlamentar teria se mostrado insatisfeito com ACM Neto por ele não usar a influência como presidente do DEM e ex-prefeito de Salvador para impedir que integrantes da legenda na Bahia se manifestassem a favor de Arthur Lira (PP-AL), candidato à Presidência da Câmara. Lira é apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Segundo o jornal, em ligação para Neto, Maia teria afirmado que se o partido aceitar cargos e emendas oferecidos pelo governo de Jair Bolsonaro e por Lira em troca de votos pode ser tornar o “partido da boquinha”.

Em conversa com a publicação, o parlamentar confirmou o uso da expressão, mas negou que ela tenha sido usada como crítica a ACM Neto. De acordo com ele, a fala foi um alerta ao presidente do partido, que garantiu que o apoio será dado a Baleia Rossi.

A expressão foi usada pela primeira vez em 1999 pelo então governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PDT). Na época, ele afirmou que o PT, antigo aliado, deveria mudar o nome no estado para PB (Partido da Boquinha). Na ocasião, em entrevista à Época, ele disse que o Partido dos Trabalhadores já possuía mais de 200 cargos no governo, mas queria mais.