Publicado em 05/04/2016 às 11h40.

Ministro do STF critica divulgação de conversas gravadas pela PF

Em entrevista ao Roda Vida, Marco Aurélio Mello afirmou que é "condenável" a divulgação de interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal

Redação

Ministro STF Marco Aurélio Mello (Foto Fotospúblicas)

 

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello disse que a divulgação de conversas gravadas pela Polícia Federal é “condenável”, em entrevista nesta segunda-feira (4) ao programa Roda Viva, da TV Cultura. “A divulgação é condenável a todos os títulos, já que temos uma legislação que impõe sigilo, e houve divulgação do objeto da interceptação telefônica. Agora, o conteúdo também é algo super desagradável, para dizer o mínimo”, declarou Marco Aurélio, sem citar especificamente o diálogo entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula sobre o termo de posse do petista como ministro da Casa Civil.

Apesar do posicionamento, o ministro do Supremo disse que não havia criticado o juiz Sérgio Moro, responsável por suspender o sigilo das interceptações telefônicas. “Eu não critiquei o colega Sérgio Moro. […] Eu fiz foi uma colocação. Ou seja, houve uma divulgação frontalmente contrária à lei. A minha colocação é uma colocação científica”, declarou Marco Aurélio.

Durante o programa, o ministro falou ainda sobre a ação que contesta o arquivamento, em dezembro, pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de uma denúncia contra o vice-presidente Michel Temer (PMDB) por suposto crime de responsabilidade. Na última sexta (1º), o Supremo divulgou, por equívoco, uma decisão relativa ao caso, “em elaboração” por Marco Aurélio.

No documento, ainda um esboço e, portanto, sem validade até então, o ministro determina à Câmara iniciar um processo de impeachment de Temer. “Inicialmente houve um pequeno pecado do gabinete, porque o pronunciamento ainda não estava formalizado, estava em elaboração. […] Recebi hoje as informações. E aí se estabelece o contraditório. Eu vou levar em conta as informações do Eduardo Cunha [presidente da Câmara] e vou manter aquele entendimento primitivo”, disse o ministro.

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