MP ignorou risco de adulteração em sistema no condomínio de Bolsonaro

    Um documento entregue à Justiça aponta ainda que as bases da perícia foram realizadas de modo acelerado, antes da entrevista coletiva da Promotoria sobre o caso

    Foto:  José Cruz/Agência Brasil
    Foto: José Cruz/Agência Brasil

     

    Ao realizar perícia nas gravações da portaria do condomínio Vivendas da Barra – onde tem casa o presidente Jair Bolsonaro – o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) não considerou a possibilidade de algum arquivo ter sido excluído ou renomeado antes de ser entregue às autoridades, conforme a Folha.

    Um documento entregue à Justiça aponta ainda que as bases da perícia foram realizadas de modo acelerado, na quarta-feira (30), antes da entrevista coletiva sobre o caso.

    Baseada nessa análise, a Promotoria desqualificou depoimento prestado por porteiro do condomínio, que mencionou Bolsonaro.

    As promotoras envolvidas no caso declararam que foi o policial militar aposentado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco (PSOL), quem autorizou a entrada de Élcio Queiroz, ex-policial militar também suspeito de envolvimento no crime.

    Segundo reportagem do jornal Nacional, o funcionário do condomínio afirmou, em depoimento, que, no dia do assassinato de Marielle, Élcio disse na portaria que iria à casa de Bolsonaro, na época deputado federal.

    O porteiro relatou que, ao interfonar para a casa de Bolsonaro, um homem com a voz do “seu Jair” teria atendido e autorizado a entrada. Élcio, porém, teria se dirigido à residência de Lessa.

    O funcionário acrescentou que, então, interfonou uma segunda vez para a casa de Bolsonaro (de número 58), e que o mesmo interlocutor disse saber que o visitante tinha como destino a casa 66, de Lessa.

    Em planilha manuscrita de controle da entrada de visitantes, está registrada a entrada de Élcio para a casa 58.