Publicado em 12/02/2026 às 17h47.

‘Não podemos fraquejar’, diz Sturaro sobre Carnaval no Nordeste de Amaralina

Diretor da Guarda Municipal reforça que festa está garantida após morte de PM e operação com 12 mortes

Raquel Franco / André Souza
Foto: André Souza/bahia.ba

 

O diretor-geral de Segurança Urbana e Prevenção à Violência de Salvador, Coronel Humberto Costa Sturaro, reafirmou a manutenção da programação do Carnaval no Nordeste de Amaralina (Circuito Mestre Bimba). Em posicionamento direto sobre a crise de segurança na região, o oficial da reserva da Polícia Militar destacou que a suspensão do evento diante da violência sinalizaria uma fragilidade das instituições que o Estado não pode admitir.

Para Sturaro, a dor pela perda de um integrante da corporação deve ser convertida em presença operacional, e não em recuo. “A gente não pode jamais nos enfraquecer, nos fraquejar e mostrar qualquer tipo de unilateralidade. Estou sofrendo, em resposta eu não vou trabalhar? Não, muito pelo contrário. Estou sofrendo, está doendo, em resposta eu vou para cima”, afirmou o diretor.

De acordo com Sturaro, a missão do poder público é garantir o direito de escolha do cidadão. “As pessoas têm o livre arbítrio para dizer: “Não, eu quero ir. Não, eu não quero ir”. Mas nós temos que garantir esse evento, é nossa missão. Foi um momento infeliz, a resposta foi dada, foi imediata. E ali a presença fixa e maciça da instituição Polícia Militar é que vai dar essa satisfação a essa família”, disse.

Staturo comparou a situação a episódios de violência em outros circuitos, defendendo que o homicídio não deve pautar a interrupção das festas. “O que é que eu vou dizer à família da pessoa de bem? Que na hora que teve o homicídio no Carnaval, suspende a festa? Não é assim que funciona”, disse.

Entenda o caso

A declaração ocorre em um cenário de alta tensão no complexo. Na última terça-feira (3), o cabo da PM Glauber Rosa Santos foi morto com um tiro na cabeça durante serviço. Em resposta, operações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) resultaram na morte de 12 suspeitos de integrarem a facção responsável pelo ataque, além de prisões e apreensões de armamentos.

O posicionamento de Sturaro converge com a fala do governador Jerônimo Rodrigues (PT), que também descartou o cancelamento, reforçando que “o Estado é forte”. 

Embora o prefeito Bruno Reis (União Brasil) tenha chegado a ventilar uma avaliação sobre a viabilidade do circuito devido à insegurança e à suspensão temporária do transporte público na localidade, a cúpula da segurança municipal e estadual mantém a estratégia de ocupação.

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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