Neto aponta domínio de facções e ataca gestão do PT: ‘Jerônimo finge que não vê’
A ida à comunidade gerou críticas de adversários políticos e foi tema de debate durante o Fórum SOS Bahia

O pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), comentou nesta terça-feira (2) a repercussão da visita que fez ao bairro de Narandiba, em Salvador, na última sexta-feira (29). A ida à comunidade gerou críticas de adversários políticos e foi tema de debate durante o Fórum SOS Bahia, iniciativa promovida pela Fundação Índigo para discutir soluções para áreas estratégicas do estado.
O assunto foi repercutido pelo Secretário de Relações Institucionais (Serin), Adolpho Loyola, e pelo líder do MDB na Bahia, Geddel Vieira Lima.
Durante entrevista, o ex-prefeito de Salvador afirmou que a visita teve o objetivo de chamar atenção para o avanço do crime organizado em bairros da capital baiana e do interior do estado.
“A gente queria, com aquele vídeo, mostrar o que está acontecendo na Bahia. Narandiba é uma área central de Salvador. Quem vai ali na Travessa Ubatã, fica impressionado porque você, ali mesmo, está há dois minutos do centro comercial, nem dois minutos, um minuto do centro comercial. É uma localidade que a Avenida Paralela, que é uma das mais movimentadas da cidade de Salvador, está apenas a menos de um quilômetro dessa localidade. E aí eu fui lá para mostrar o que está acontecendo”, disse.
Segundo ACM Neto, o cenário encontrado no local evidencia o impacto da violência sobre os moradores, que teriam deixado suas residências por medo da criminalidade.
“As famílias todas abandonaram as casas. Quem anda ali, parece que está olhando, acompanhando. Uma situação de guerra. Uma questão realmente impressionante, porque as casas, todas elas alvejadas de bala, as paredes das casas todas alvejadas de bala, as famílias foram obrigadas a deixar suas casas, famílias que tinham como único patrimônio na sua vida inteira a sua casa, tiveram que ir para morar de improviso, de favor”, criticou.
O ex-prefeito relatou ainda conversas com moradores e ex-moradores da comunidade, que teriam descrito restrições impostas por grupos criminosos na região.
“Eu conversei, inclusive, com o filho de uma ex-moradora da comunidade que disse: ‘Minha mãe resolveu sair porque ela não conseguia mais ver os filhos’. Os filhos dela não conseguiam mais entrar lá, não conseguiam entrar porque o crime organizado cobrava taxa, o crime organizado obrigava a comprar o botijão de gás onde ele queria, o sinal de internet onde ele queria. Quando as pessoas entravam, passavam por uma revista do crime organizado, homens altamente armados, tomavam celular, faziam revista, uma coisa de doido, né? E Jerônimo finge que isso não é Bahia, que isso não acontece em nosso estado, e não é só ali, em Narandiba, isso está acontecendo em vários bairros, em várias comunidades de Salvador e também do interior da Bahia”, disse.
ACM Neto também afirmou que pretende ampliar a exposição de situações semelhantes durante o período pré-eleitoral.
“Nós vamos revelar não apenas esse fato que foi revelado ontem e hoje. Hoje eu trago uma nova postagem com o diálogo que eu fiz com o filho de uma ex-moradora, mas já existem outras agendas na capital e no interior, onde nós vamos mostrar o resultado da ação do crime, o resultado da ação das facções criminosas. E não vai ficar só na segurança pública, porque nós vamos mostrar todas as dores e dramas vividos hoje pelo povo baiano”, concluiu.
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