Publicado em 07/02/2020 às 08h30.

Nos 40 anos do PT, Mercadante defende ‘autocrítica sincera’

Ex-ministro afirmou em entrevista que a obra do partido é maior que os erros, “que não foram poucos”

Redação
Dilma, Lula e Mercadante (Foto: Arquivo / Diário do Poder)
Dilma, Lula e Mercadante (Foto: Arquivo / Diário do Poder)

 

O ex-senador, ex-ministro e um dos fundadores do PT, Aloizio Mercadante, defendeu em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo que o partido necessita de uma autocrítica sincera na política e na economia. Em suas palavras, porém, esta não pode ser “autoflagelante” nem “autocomplacente”.

“A obra que nós construímos é muito maior do que os erros, que não foram poucos, nem pequenos, que nós cometemos”, afirmou ele, ao comentar os 40 anos do partido, a serem celebrados na segunda (10).

Uma das figuras históricas da sigla, Mercadante afastou-se do debate público após o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e dedicou-se mais à agenda interna da sigla.

Agora, pretende voltar ao centro da discussão, como presidente da Fundação Perseu Abramo, braço de estudos do partido.

Mercadante afirma à Folha que a esquerda tem dificuldade em debater a pauta econômica e diz reconhecer que haverá algum crescimento econômico neste ano, embora em “voo de galinha”.

No campo externo, recusa-se a chamar Nicolás Maduro de ditador, mas admite que seu governo na Venezuela é autoritário.

Sobre a tese que associa o PT à corrupção, Mercadante diz que tal pecha é resultado de uma campanha da direita. “Sofremos uma campanha violentíssima, marcada pelo lawfare, a Justiça partidarizada para a disputa política. A direita sempre soube usar esses instrumentos”.

A respeito dos escândalos do partido, o ex-ministro admite que houve corrupção.

“O problema de financiamento de campanha era sistêmico. Evidente que houve corrupção. O que é inaceitável é a ênfase que se deu ao PT e a total omissão e rigor em relação a outras forças políticas. A Vaza Jato explicita isso”, disse.

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