Publicado em 02/12/2019 às 13h39.

Os pequenos partidos, na luta para sobreviver, estão fugindo dos grandes

'Vereador com mandato vai precisar de 10 mil votos. E os pequenos vão pular fora. Fazer o jogo dos grandes é chutar os sonhos'

Levi Vasconcelos
Imagem: O Globo/reprodução
Imagem: O Globo/reprodução

 

Os pequenos partidos, que até 2016 se cacifavam nos embates eleitorais com dinheiro de fundo partidário e tempo de rádio e TV, agora são os sem quase nada. Se antes podiam negociar, não raro, até mesmo vendendo (literalmente) o tempo de TV, agora só têm o único trunfo: juntar gente para tentar eleger um, pagando a conta do próprio bolso.

Agregue-se a isso o fato de que neste ano coligações nas eleições proporcionais são proibidas, é cada um por si. No entorno de ACM Neto gravitam 14 partidos. Seis deles têm fundo partidário, fundo eleitoral e tempo de rádio e TV.

No de Rui Costa, são 12, dos quais, sete são os bem aquinhoados. A questão: como seduzir os pequenos, já que eles não querem estrelas no time deles, apenas pigmeus eleitorais?

Chutar sonhos

Rui Costa diz que vai tratar a questão de saída para a definição da estratégia, ‘com paciência’, e em janeiro vai começar a conversar com os partidos. Neto promete anunciar dia 20 o seu candidato, provavelmente Bruno Reis (DEM).

Se na banda de Rui a tendência é a pulverização de candidaturas para tentar juntar num eventual segundo turno, na de Neto é o inverso, é chamar todos para um único projeto.

Rivailton Pinto, do pequeno PTC, um dos sem nada, aliado de Rui, diz que muita gente hoje com mandato de vereador vai sobrar:

— Vereador com mandato vai precisar de 10 mil votos. E os pequenos vão pular fora. Fazer o jogo dos grandes é chutar os sonhos. Eles não têm saída. Salvador é muito grande, não dá para encurralar líderes comunitários.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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