Publicado em 23/09/2022 às 15h28.

Para bancar orçamento secreto, governo corta verba para tratamento de câncer

O montante caiu de R$ 520 mi, em 2022, para apenas R$ 202 mi, somados todos os planos de aplicação em 2023

Redação
Foto: Alan Santos/PR
Foto: Alan Santos/PR

 

O corte de despesas promovido pelo governo Jair Bolsonaro (PL) para acomodar os R$ 19,4 bilhões reservados ao orçamento secreto, usado para acordos políticos, atingiu os recursos destinados a investimentos para prevenção e controle do câncer, historicamente a segunda doença que mais mata no país. O governo reservou R$ 520 milhões para todas as ações este ano. Para 2023, o montante caiu para apenas R$ 202 milhões, somados todos os planos de aplicação, uma queda de R$ 318 milhões. As informações foram publicadas pelo Estadão.

Para os programas considerados como “estratégicos” pelo Ministério da Saúde, como a Rede de Atenção à Pessoa com Doenças Crônicas, Oncologia, a verba foi reduzida em 45%, passando de R$ 175 milhões para R$ 97 milhões, em 2023.

A Rede de Atenção a Pessoas com Deficiência teve queda de 56%, passando de R$ 133 milhões para R$ 58 milhões. A Rede Cegonha e a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) tiveram redução de 61%, com orçamento caindo, respectivamente, de R$ 44 milhões para R$ 17 milhões e de R$ 18 milhões para R$ 7 milhões. Despesas diversas caíram de R$ 150 milhões para R$ 23 milhões. O governo não cortou a verba do Inca: serão R$ 430 milhões para 2023, R$ 5 milhões a mais do que dispõe atualmente.

O acesso a médicos em áreas remotas da Amazônia também foi prejudicado. O repasse do Fundo Nacional de Saúde aos comandos militares cairá para R$ 8,1 milhões, ante os R$ 21 milhões transferidos atualmente. De um total de R$ 1,64 bilhão atualmente, a saúde indígena terá em 2023 somente R$ 664 milhões. O Brasil Sorridente também perdeu 61% das verbas. Antes com R$ 27 milhões, o programa agora terá R$ 10,5 milhões.

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