Publicado em 14/09/2016 às 17h34.

Propina da OAS chegou a Lula de ‘modo disfarçado’, diz procurador

Segundo coordenador da Lava Jato, houve lavagem de valores ilícitos por meio do tríplex do Guarujá e do pagamento da armazenagem de bens de Lula em um depósito

Rodrigo Aguiar
Foto: Marcelo Camargo/ABr
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

 

Após definir o ex-presidente Lula como o “comandante” do esquema investigado pela Lava Jato, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da operação, relembrou o mensalão e afirmou nesta quarta-feira (14) que o petista era o “beneficiário” de três sistemas sustentados pela corrupção: manutenção da governabilidade, perpetuação no poder e enriquecimento ilícito.

“Quando analisamos tudo isso conjuntamente, a expressividade da propinocracia, dos líderes envolvidos, das empresas, dos valores e da ramificação do mesmo esquema, não existe outra conclusão possível se não a de que Lula era o seu comandante”, declarou Dallagnol, que especificou o alvo da denúncia feita nesta quarta pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Lula, a ex-primeira-dama Marisa Letícia e mais seis pessoas, entre elas o empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS.

Segundo o procurador, três contratos conseguidos pela OAS com a Petrobras renderam propinas a altos funcionários da estatal e lideranças políticas, entre elas Lula. Dallagnol disse que parte dessa propina chegou ao ex-presidente, “de modo disfarçado”, por meio do tríplex do Guarujá e do pagamento da armazenagem de bens de Lula em um depósito.

“Provas são pedaços da realidade que geram uma convicção. Elas permitem formar seguramente a figura do Lula no comando do esquema criminoso da Lava Jato. Para além de qualquer dúvida razoável, Lula era o maestro dessa orquestra”, declarou o coordenador da força-tarefa, que citou ainda depoimentos que incriminariam o petista, como o ex-deputado Pedro Corrêa, o ex-senador Delcídio do Amaral, o empresário Fernando Schahin e o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

De acordo com o procurador, os depoentes afirmaram que cabia a Lula a indicação dos diretores da estatal e que estes angariavam recursos para os partidos aos quais eram ligados.