Publicado em 26/09/2016 às 10h08.

PT sempre federalizou as disputas na Bahia e ganhou. Vai dar agora?

As urnas de 2016 vão nos responder essa questão

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“Pesquisa não define resultado. Se definisse, Paulo Maluf teria sido eleito governador de São Paulo em 1998 e Lula, presidente em 1994”

José Serra, senador paulista e hoje ministro das Relações Exteriores

(Foto: Manu Dias/PT).
(Foto: Manu Dias/PT).

 

Eis a questão: a diferença de ACM Neto para Alice Portugal será mesmo essa que o Ibope está dizendo (69 a 12)?

Os governistas garantem que não. E justificam dizendo que o Ibope é vezeiro em manipular para favorecer um lado.

As urnas de 2016 vão nos responder essa questão e outra também instigante: colar a campanha local a personagens federais vai dar certo?

A fórmula é adotada pelo PT na Bahia desde sempre. Foi vitoriosa em 2006, quando o Ibope apontava larga vantagem de Paulo Souto e ninguém acreditava na vitória de Jaques Wagner.

Em 2014, o repeteco: Rui Costa lá embaixo, todo mundo apostando na eminente vitória de Paulo Souto. Deu Rui.

Em 2016, a era petista se exauriu no plano federal. Nem por isso os petistas baianos deixaram federalizar a disputa, trazendo Dilma a Salvador e pregando a tese do golpe nos quatro cantos da Bahia.

Vai colar? Respostas dentro de sete dias. É a última semana da curta campanha de 2016; o horário eleitoral acaba na quinta, quando teremos o último debate, o da TV Bahia.

A questão não é saber se Alice vencerá, porque isso ninguém espera. Mas saber até onde os governistas salvaram o seu tradicional quinhão em Salvador.

Aguardemos o que as urnas dirão.

Odebrecht x Gradin

Lembra a história da bilionária pendenga entre a Norberto Odebrecht e a família Gradin? Entrou água. Ou melhor, entrou o jato, da Lava, pelos lados.

Recapitulando: a Kieppe, holding da Odebrecht queria comprar 20,6% das ações da empresa que pertence à família Gradin, capitaneada pelo patriarca, pagando R$ 4,5 bilhões pelo conjunto.

Os Gradin, que demonstravam não querer a transação, passaram a questionar formas de pagamento e afins e, principalmente, a maneira de resolver a pendenga. Queria a solução do problema por via de uma arbitragem, enquanto a Odebrecht defendia a via jurídica. E entre demandas judiciais para determinar o fórum adequado, passaram-se cinco anos, culminando com uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que mandou começar tudo de novo, na primeira instância. Ou seja, passaram cinco anos brigando para definir se o jogo seria na Fonte Nova ou em Pituaçu, sem sucesso.

Resultado: veio a Lava Jato e atingiu em cheio a Odebrecht, que agora quer rever o montante da oferta. Ou seja, não quer, por não poder, pagar os R$ 4,5 bi. Os Gradin perderam sem jogar, ao que parece.

Aline e Ivete

Mentora da ideia de chamar a cantora Ivete Sangalo para ajudar o Hospital Martagão Gesteira, Aline Peixoto, a primeira dama da Bahia, conta que ela própria entrou na história quando estava grávida e foi visitar a instituição. Viu os bons serviços e a imensa dificuldade para tocá-los, se condoeu.

Pegou o telefone, resolveu ligar para Ivete sem nenhuma esperança de ser atendida.

Errou. Ivete atendeu no ato. Ela explicou a situação e a cantora nem pestanejou:

— Quando é que a gente se encontra?

Dois shows

Na inauguração da UTI Cardiológica, que resultou do show realizado em dezembro por Ivete, Aline disse:

— Enquanto eu puder, vou tentar ajudar essa instituição aqui.

Ivete emendou:

— Tentar, não. Nós vamos é ajudar.

Dois novos shows já estão programados. E as crianças do Martagão agradecem.

Centro do azar

Foi com muito pesar que o trade turístico de Salvador recebeu a notícia do desabamento de uma parte do Centro de Convenções de Salvador, justamente às vésperas do início da reativação.

Glicério Lemos, presidente da secção baiana da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-Ba), resumiu o sentimento:

— Foi um susto grande. Esperamos que o governo seja ágil. Quanto mais tempo o Centro passa fechado, mais perdas para todos.

De fato, parece uma urucubaca.

Cracas na fila

Acabou a lua de mel do povo com os novos ferries, o Dorival Caymmi e o Zumbi dos Palmares, adquiridos em 2014, que proporcionaram dois anos de filas pequenas.

Não, não é que eles vão sair de cena. É que a Internacional Travessias, operadora do ferry, é obrigada a fazer revisões de dois em dois anos. Agora, está no estaleiro o Zumbi (junto com o Juraci). Quando voltar, entra o Dorival.

Isso é necessário porque a Baía de Todos-os-Santos é despoluída e enche os cascos dos navios de cracas (crustáceos). Em suma, é um transtorno que vem do bem.

Afundou na crise

Lembra que falamos da ideia do governo de comprar um novo ferry, como o Dorival e o Zumbi?

A ideia existe, mas anda a passo de cágado. Travou diante da crise em dose dupla: a falta de dinheiro do governos baiano e federal de trancar novos financiamentos.

Canô e Sadoc

Só para relembrar, em memória do Monsenhor Gaspar Sadoc, o pároco da Igreja da Vitória que na noite de quinta nos deixou.

Sadoc e D.Canô, filhos de Santo Amaro e amigos, encontraram-se lá por meados de 2010, ele com 95 anos, ela com 103. Fala D. Canô:

— Sadoc, meu filho. Eu não vejo a hora de ir para a festa do seu centenário;

— Canozinha, meu amor. Eu não tenho nada contra o seu pleito.

  1. Canô morreu em 2012, não foi à festa como queria. E Sadoc, que comemorou o centenário em março, não passou dos 100.

Superfaturamento

Dizem em Itabuna que político superfatura tudo, até gente na praça quando vai contabilizar os presentes aos seus eventos.

A Praça Adami, por exemplo. Mal cabem 10 mil pessoas, mas comício lá, de todos os lados, só dá mais de 50 mil.

A constatação itabunense é universal. Daí é que é comum se ver na tevê: “Segundo os organizadores xis, segundo a PM ípsilon”.

Na passagem de Dilma, anteontem por Salvador, alguns deram 100 mil, outros 80 mil pessoas. Abatam o superfaturamento.

Epigrama cívico

A ascensão da ministra Cármen Lúcia à presidência do STF virou ato anticorrupção. Na plateia, Lula, Renan, Edson Lobão, Sarney e outros acusados e indiciados na Lava Jato, tiveram que ouvir calados a nova presidente do STF dizer que”vivemos momentos tormentosos” e que “homens e mulheres estão nas praças por seus direitos”. Antônio Lins mandou o epigrama cívico:

O Brasil ainda tem jeito

Agora acabo de crer,

Tem muito juiz de Direito

Que não se pode vender

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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