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Publicado em 09/01/2026 às 12h24.

‘Quero a polícia forte’, diz Jerônimo à Veja sobre crise na segurança pública da Bahia

Governador defende firmeza contra facções e vê tema como central para as eleições de 2026

Raquel Franco
Foto: Reprodução/YouTube

 

Em entrevista concedida à revista Veja publicada nesta sexta-feira (9), o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), abordou a crise de segurança pública no estado, destacando a necessidade de uma atuação estatal intensiva. Com o título “Quero a polícia forte”, a revista foca nos desafios enfrentados pela gestão baiana, que detém o que classifica como a “mais longa hegemonia partidária vigente no país”, com o PT completando seu quinto mandato consecutivo à frente do Executivo estadual.

Ao ser questionado sobre os indicadores de criminalidade, o governador declarou que “o Estado não pode ser um Estado matador, nem se comparar à prática do crime organizado.” Segundo ele, sua gestão trabalha para que a polícia seja capaz de investigar, prender e entregar os criminosos à Justiça. 

“Eu tenho a tese de que bandido bom é bandido preso e entregue à Justiça, para que ele possa ser julgado e, uma vez condenado, pague a pena e viva em um ambiente de ressocialização”, afirmou à revista. 

Recorde nos indicadores de violência

Entre janeiro e novembro de 2025, a Bahia registrou 3.371 assassinatos, número que supera os registros de estados mais populosos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 2025, foram registradas 1.490 mortes em intervenções policiais no estado, ultrapassando a soma de São Paulo e Rio de Janeiro (1.428). A taxa de letalidade da polícia baiana é apontada como o triplo da média nacional.

Jerônimo destacou que busca reduzir os índices de letalidade policial por meio de programas como o Bahia Pela Paz e investimentos em inteligência, câmeras corporais e qualificação profissional. “O agente é um servidor público, tem a obrigação de prestar contas dos seus atos à sociedade”, disse.

“A outra frente é a área social, com escolas de tempo integral e serviços públicos de saúde e de assistência social nas comunidades violentas, sempre dosando isso com a atuação da polícia de braço forte, com o enfrentamento das facções”, completou.

“Mão organizadora da União” 

Segundo o governador, ele mantém uma interlocução constante com o presidente Lula (PT) e com os ministros da Justiça desde o início de seu mandato. “Na primeira reunião dos governadores com Lula, um dos temas centrais foi a preocupação dele — e nossa — com a criminalidade”, disse.

Para Jerônimo, “a segurança pública requer responsabilidade dos estados, mas é preciso a mão organizadora da União”, especialmente na proteção de fronteiras para impedir a entrada de armas e drogas.

Para o enfrentamento direto das facções, o governador justificou o investimento em armamentos potentes. “Eu não gosto de usar dinheiro para comprar armas em vez de fazer mais teatros, escolas e creches. Mas o crime organizado tem armamentos potentes. O estado também precisa ter para enfrentá-lo”, afirmou.

Segurança pública nas eleições 2026

A revista estabelece um paralelo entre os governos do PT na Bahia e no Ceará, estados de grande porte governados pela esquerda que enfrentam crises na segurança pública. Jerônimo reconhece que o tema será central nas eleições de 2026 e poderá ser explorado pela oposição como ferramenta de disputa eleitoral, mas que tem “feito o investimento necessário para fazer o contraponto nesse debate.”

“O tema não é da esquerda ou da direita. Eu não vejo assim. A segurança pública é uma questão que tem que ser apropriada por todos, independentemente de ideologia. O que está imposto é a necessidade de dar paz para as pessoas, de criar ambientes seguros”, concluiu.

Assista à entrevista

Raquel Franco
Natural de Brasília, formou-se em produção em comunicação e cultura e em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Também é fotógrafa formada pelo Labfoto. Foi trainee de jornalismo ambiental na Folha de S.Paulo.

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