Publicado em 06/12/2016 às 09h29.

Renan, mais um da nossa bichada representação política

Senador virou réu na semana passada por um episódio de quase dez anos atrás e havia a expectativa de que pedido da Rede não alcançasse a eficácia pretendida

Levi Vasconcelos

Frase da vez

“A crise consiste precisamente no fato de que o velho está morrendo e o novo ainda não pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas mórbidos aparece”

 Antônio Gramsci, jornalista, filósofo e político italiano (1891-1937)

Foto: Lia de Paula/Diário do Poder.
Foto: Lia de Paula/Diário do Poder

 

O afastamento de Renan Calheiros da Presidência do Senado causou certa surpresa entre senadores. Embora ele tenha se tornado réu na semana passada de um episódio ocorrido quase dez anos atrás dava a certeza de que o pedido da Rede não tivesse a eficácia pretendida. Fato consumado, convém pontuar:

1 — Renan Calheiros não é Eduardo Cunha, que perdeu a presidência e o mandato e agora está na cadeia. Contra Renan não há processo de cassação, como no caso Cunha.

2 — O afastamento se dá, segundo  entendimento do ministro Marco Aurélio de Mello, do STF, porque um réu não pode estar na linha sucessória da Presidência da República, como é o caso do presidente do Senado.

Em outras palavras, o episódio bota mais lenha na já ardente fogueira da crise moral porque passa a representação política brasileira, mas está longe de produzir a faxina que a sociedade almeja.

Repetindo: o caso que tornou Renan réu é de quase 10 anos atrás, gerou escândalo que o afastou da Presidência do Senado, quando foi acusado de ter desviado dinheiro público (recebendo dinheiro de empresas) para pagar a pensão de uma filha. É coisa velha.

Renan é implicado em 11 outros processos, oito deles da Lava Jato. Junto com mais dez senadores e 27 deputados federais (sem contar a delação da Odebrecht).

Isso nos mostra o quanto a Justiça é lenta ao julgar políticos acusados de corrupção, que se acobertam no manto da imunidade que virou impunidade.

E contribui, ainda mais, para desacreditar a já desmoralizada representação política.

Levi Vasconcelos

Levi Vasconcelos é jornalista político, diretor de jornalismo do Bahia.ba e colunista de A Tarde.

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