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Publicado em 20/01/2026 às 12h59.

Sílvio Humberto repudia ataque a terreiro em Cajazeiras

Portões de casa religiosa foram pichados com frases de ódio às vésperas do Dia de Combate à Intolerância

Redação
Foto: Jorge Jesus/bahia.ba

 

O vereador Sílvio Humberto (PSB) não poupou críticas o ataque sofrido pela casa religiosa Unzó de Mutá Lambô Ye Mameto Kaiongo, localizada na Avenida Geraldo Brasil, no bairro de Cajazeiras. O templo teve seus portões vandalizados com pichações em tons de vermelho, contendo as palavras “ASSASSINOS” e “JESUS”. 

O caso ocorreu às vésperas do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado nesta quarta-feira (21). Para o vereador, o ato não é um fato isolado, mas um flagrante ataque de ódio que ignora a história e o papel social das comunidades de matriz africana. 

“O povo de candomblé nada tem contra Jesus, Deus ou Jeová. O fato do nome de Jesus ter sido colocado desta forma é uma tentativa violenta de impor uma fé sobre a outra, desrespeitando o direito sagrado à existência do povo de santo”, afirma Sílvio Humberto.

O vereador destacou dados alarmantes da Delegacia de Proteção à Pessoa e de Combate à Intolerância e a Discriminação (DECRIN-BAHIA), que revelam que 99% dos atendimentos da unidade estão ligados a queixas de racismo religioso. Segundo Humberto, o crime em Cajazeiras fere a identidade de Salvador, que ele define como uma “cidade-terreiro”.

“Salvador é uma cidade onde a população negra, em sua maioria, descende de povos que tiveram que dar um jeito de se religar à sua fé sob perseguição. É uma lástima que um crime de ódio como este ignore até mesmo o trabalho social realizado pelo terreiro na comunidade”, pontua o vereador.

Diante do aumento dos casos de violência contra os povos de terreiro, Sílvio Humberto reforçou a necessidade de uma postura ativa tanto das autoridades quanto da sociedade civil. Ele defende que o combate a esses crimes deve ultrapassar as barreiras das comunidades atingidas.

“Temos que organizar a nossa indignação em defesa do nosso sagrado dentro e fora da porteira”, convocou o parlamentar.

O vereador encerrou sua manifestação lembrando que a data de 21 de janeiro deve servir como um marco para a exigência de políticas públicas mais rígidas contra o racismo religioso. “Urge em nossa cidade um novo tempo: o tempo do respeito”, finaliza.

 

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